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Dia do Chocolate - a história do fruto originário e a importância de ressaltar seu protagonismo

A data, segundo os historiadores, remonta a chegada do produto na Europa em 1550
07 jul 2026 às 10:57
Por: Portal Tarobá
Foto: Divulgação

Um dos alimentos mais prósperos e consumidos do mundo, o chocolate é celebrado em todos os hemisférios no dia 07 de julho. A data, segundo os historiadores, remonta a chegada do produto na Europa em 1550, onde ganhou popularidade e se transformou no doce mais amado do planeta. Mas, antes de ter a forma e o sabor que conhecemos, o chocolate percorreu um caminho milenar desde a sua origem até os avanços da industrialização.

 

Com surgimento datado há mais de 4000 anos, foi na atual América que o fruto, o cacau, se desenvolveu entre as antigas civilizações. Só em meados do século XVI, durante a colonização europeia, a semente que era usada como bebida sagrada pelos maias e astecas (xocoatl), chegou ao continente e foi apreciada pela elite. Só mais tarde, durante a Revolução Industrial no século XIX, o chocolate ganhou o famoso formato em barra,  sabor adoçado e ao leite, e na Segunda Guerra Mundial, ultrapassou fronteiras e transformou o mercado global.

 

Com o boom do capitalismo e as inovações tecnológicas, o chocolate deixou de ser exclusivo da nobreza para se tornar um produto de massa. O cacau se adaptou bem ao solo brasileiro e o país chegou a se tornar um dos mais importantes produtores e exportadores do mundo no século XX, com a Bahia despontando nesse cenário. A produção nacional chegou a superar 450 mil toneladas – ciclo de ouro interrompido pela vassoura-de-bruxa na década de 80.

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Após o surto, o Brasil não retomou o topo da cacauicultura, ocupando o sexto lugar no ranking mundial, produzindo cerca de 250 mil toneladas por ano. A Bahia passou a dividir o protagonismo com o Pará, que agora assume a liderança como maior produtor. Mas o país virou a chave e aprendeu a transformar a sua amêndoa em chocolates premium e de origem.

 

Com a revolução do setor, que deixou de focar apenas no volume de commodities e passou a investir na qualidade, o cacau e o chocolate brasileiro se tornaram reconhecidos internacionalmente. Nesse cenário, surge o empresário Marco Lessa, criador do Chocolat Festival e Origem Week, eventos que ajudaram a projetar as produções “Made in Brazil” na Europa, especialmente o cacau e o chocolate.

 

Desde seu primeiro contato profissional com o fruto – quando produziu a primeira versão da telenovela Renascer (1993), ambientada nas fazendas de cacau do sul baiano – até se tornar referência no setor com o título de “Embaixador do Cacau”, Lessa acompanhou as mudanças ambientais, econômicas e políticas da cacauicultura, como o colapso nas lavouras, volatilidade dos preços e mudança no consumo de chocolate.

 

“Uma roça de cacau é seis vezes mais rentável do que a de gado. Não precisa desmatar para plantar cacau. Somos um dos países que mais consome chocolate no mundo, portanto, se considerarmos que estamos falando de uma cultura que cuida do meio ambiente e de um produto que é saudável, o cacau será o alimento do futuro”, disse.

 

Órgãos e premiações internacionais reconhecem a qualidade da matéria-prima cultivada no Brasil. A Organização Internacional do Cacau (ICCO) categorizou o país com o status de exportador de 100% de cacau fino e de aroma. Isso se reflete no desempenho da produção brasileira no mercado externo, de acordo com a ApexBrasil, o país somou US$ 1 bilhão em exportações de chocolate, cacau e derivados entre 2021 e 2025.

 

No campo legislativo, o país faz a sua parte endurecendo regras para manter a qualidade do cacau nacional. Sancionada pelo presidente Lula, a Lei 15.404/2026 mudou as regras de composição e embalagem dos produtos derivados do cacau. O chocolate, por exemplo, agora deve conter ao menos 35% de sólidos totais de cacau, e o tipo ao leite 25%, dispensando termos como “amargo” e “meio amargo” nas rótulos, priorizando a concentração do produto em destaque. Para Lessa, a medida é uma vitória para o setor.

 

“Até 2009 nenhuma embalagem de chocolate no Brasil tinha o nome, percentual ou desenho do cacau, deixando a matéria-prima como coadjuvante. Hoje, graças ao movimento Pró-Cacau e ao engajamento de produtores e instituições, conseguimos ajudar a mudar profundamente esse cenário”

 

Além de oferecer uma melhor qualidade nutricional, a transparência na rotulagem deve aumentar a reputação do Brasil no mercado externo, com uma indústria mais competitiva com chocolate de maior valor agregado, valorização dos produtores rurais e reposicionamento do país no segmento Bean-to-Bar “da amêndoa à barra".

 

Em dezembro de 2026, os olhares do mercado global de cacau e chocolate se volta ao Brasil com a chegada do Salon du Chocolat, maior evento mundial do setor. Salvador vai sediar a primeira edição completa do evento que nasceu em Paris e passou por capitais como Tóquio, Dubai e Nova York.

 

Com investimento de R$8 milhões, a franquia do evento é da MVU Empreendimentos, mesma empresa responsável pelo Chocolat Festival, e vai reunir produtores, chocolateiros, chefs e autoridades nacionais e internacionais. Com o evento, o Brasil pode voltar a reescrever a sua incursão no competitivo mercado internacional e sonhar em voltar a ser maior referência mundial do cacau e chocolate.

 

“Queremos diminuir a dependência do modelo de commodity, que é tão prejudicial ao produtor. Somos o único país do circuito que produz cacau, consome cacau, produz chocolate e consome chocolate, queremos explorar esse potencial e expandir pelos estados”, finalizou Lessa.

 

Neste Dia Mundial do Chocolate, os brasileiros têm mais motivos para comemorar e saborear. Com a lei do percentual mínimo, os tabletes, bombons e ovos terão mais cacau, maior valor nutritivo e fará jus à força do campo produtivo de um gigante da cacauicultura. Mesmo em 44° no ranking de países que mais consomem chocolate, com 3,9 Kg por pessoa por ano, o Brasil tem um futuro promissor, com chances de competir de igual para igual com as potências industriais como Alemanha, Suíça e Bélgica, e reafirmar o fruto como símbolo de pertencimento, mais presente nas mesas, nos momentos e na memória afetiva dos consumidores.

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