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Música

'João, o Maestro' é prova da habilidade de Mauro Lima para contar histórias reais

17 ago 2017 às 08:10
Por: Estadão Conteúdo

Três dos cinco filmes dirigidos por Mauro Lima são biografias - Meu Nome Não É Johnny, Tim Maia e agora João, o Maestro, que estreia nacionalmente nesta quinta, 17 - menos no Rio Grande do Sul, onde o filme permanecerá inédito por mais uma semana para poder abrir, amanhã à noite, o 45º Festival de Gramado. Se há uma coisa que o cinema brasileiro aprendeu a fazer são as biografias. Mauro Lima, então, virou especialista. "Elas (as biografias) me perseguem", reflete o diretor. Seu próximo filme, o sexto, também inspirado numa história real, vai retraçar uma vida muito polêmica - a do delegado Mariel Mariscot, mas isso ainda é material para o futuro, e Mauro Lima é sempre reticente quando se trata de falar no que ainda está por vir.

"Tenho apego pelo passado", ele admite. "Prefiro recriar climas, épocas. Não creio que fosse me sentir à vontade numa ficção científica." João, o Maestro, inspirado na figura de João Carlos Martins, lhe fornece todos os elementos que ele gosta de trabalhar. Um personagem rico, eventualmente polêmico, décadas de história, belíssimas mulheres. "E isso que eu não estou dando conta de todos os casamentos dele. O filme teria de ser muito mais longo", diz o diretor. Na entrevista que deu à reportagem, o próprio maestro contou a gênese do filme. Lá atrás - beeemmm atrás - o projeto quase foi parar nas mãos de... Clint Eastwood, que tem, como todo mundo sabe, grande interesse por música. Num encontro com o maestro, Bruno Barreto dissuadiu-o. Convenceu-o de que sua vida teria de ser contada por um brasileiro, e o próprio Bruno prontificou-se. Mas não foi adiante, devido a compromissos de agenda. Mauro Lima entrou em cena.

Como o roteiro do Bruno era muito grande, ambicioso mesmo, seria um filme muito caro. "Foi bom porque recomecei praticamente do zero", conta Lima. Ele se encontrou com o biografado.

Conversaram muito. O maestro lhe dizia o que achava relevante, e que nem sempre era o que mais interessava ao diretor. Um exemplo. "Quando ele (João) me contou aquele encontro, no estúdio de TV, com o mexicano Carlos Santana, fiquei louco.

Aquilo era mais importante para mim que para ele." O desafio era - quem é esse homem? Um fenômeno musical, gravou Johann Sebastian Bach muito cedo e obteve reconhecimento mundial.

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Começou a ter problemas com as mãos, mas a perda de movimento não é uma coisa rara entre pianistas. No caso específico, houve acidentes de percurso. Uma fratura no braço durante um jogo em Nova York, um ataque com barra de ferro no crânio na Bulgária.

O pianista perdeu o movimento das mãos. Poderia ser o fim, mas ele não perdeu a paixão pela música. Virou o maestro. "Quando comecei a pesquisar e, depois, quando escrevia o roteiro, me dei conta de que as coisas não batiam. Não conseguia ver o homem inteiro. A psicanálise veio em meu socorro. João, esse brasileiro, sempre possuiu uma energia sexual extraordinária.

Como o garoto 'bullyingmizado' na infância virou esse homem ardente?" Na sua entrevista à Playboy, o maestro já contara a experiência no bordel, na Colômbia, quando, jovem, em vez de se preparar para um concerto, encerrou-se na casa da luz vermelha - e depois levou as p..., apresentadas como 'primas', ao teatro, onde se sentaram entre as autoridades (o governador e o bispo).

Mauro Lima recria a cena - ambientada, por motivos de produção, em Montevidéu. O maestro sempre teve essa pulsão forte para a música, mas o que o move, ao longo do relato, é a pulsão sexual.

Como consequência, e por ser o filme de época, todas as mulheres são deslumbrantes - magnificamente vestidas, maquiadas, penteadas. Mais bela de todas, Alinne Moraes, que faz Carmem, a mulher atual, definitiva do maestro. Alinne, por acaso, é mulher de Mauro Lima. "Mas não fui eu que a escolhi, foi o próprio maestro, que pasmou diante da Alinne", ri o diretor. É um belo filme - até o desfecho. A Fiesp é parceira na produção e na Orquestra Bachiana, um projeto de inclusão social de João Carlos Martins. Compreende-se tudo o que compõe o final. Mas é institucional. A ficção ficaria melhor sem.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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