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Acordo Mercosul-UE deve reduzir preço de carnes no Brasil nos próximos anos

As novas cotas determinadas pelo acordo, para as carnes de frango e suínos, ajudam a diluir custos de produção, diz Ricardo Santin
16 jan 2026 às 19:09
Por: Band
Freepik

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que será oficialmente assinado neste sábado (17) no Paraguai, promete não apenas abrir novas portas para o agronegócio nacional, mas também trazer reflexos positivos para o consumidor. Em entrevista ao Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, analisou os impactos do tratado e garantiu que o aumento das exportações não encarecerá os alimentos no Brasil.


Segundo o executivo, o acordo consolida a posição do Brasil como parceiro estratégico na segurança alimentar global. Ele destaca ainda que as negociações garantirão volumes expressivos para o setor produtivo. Entre os destaques, estão o acréscimo de 180 mil toneladas para carnes de aves e 90 mil toneladas para carne bovina. Para a suinocultura, o avanço é ainda mais significativo, com a abertura de uma cota de 25 mil toneladas, permitindo o acesso a um mercado até então restrito.


O impacto no bolso do consumidor

Uma das principais preocupações quando se fala em aumento de exportações é o possível desabastecimento ou a alta de preços no mercado doméstico. Santin, no entanto, é categórico ao afastar esse risco. Para ele, a lógica é inversa: vender mais para fora ajuda a baratear o produto internamente. “Não tem risco de que, o Brasil vendendo mais pra Europa, fique aqui com a carne bovina, suína e de frango com um preço mais alto. De jeito nenhum”, afirmou Santin.

A explicação técnica reside na chamada economia de escala. Ao aumentar a produção total para atender à demanda externa, o produtor consegue diluir seus custos fixos (como energia, mão de obra e infraestrutura) por um número maior de quilos de carne produzidos. “A exportação ajuda a baratear o preço do produto no Brasil. Se eu produzo mais, o custo fixo é aproveitado brasileiro”, explicou.

Além disso, a maior parte da produção continuaria no país. Segundo dados da ABPA, cerca de 65% a 75% da produção de frangos e suínos abastece o mercado interno, índice que chega a 98,5% no caso dos ovos.

Oportunidade histórica para suínos e ovos

Enquanto o Brasil já possui uma rota consolidada para a carne de frango na Europa — fruto de acordos anteriores, como as cotas do GATT —, a carne suína brasileira ainda encontrava barreiras. A nova cota de 25 mil toneladas deve acelerar os acordos sanitários necessários para viabilizar esses embarques.

O setor de ovos também foi contemplado. O acordo prevê cotas específicas de 3 mil toneladas para ovo processado e outras 3 mil toneladas para albumina. “Vai ter mais esse 'plus' que vai ajudar no desenvolvimento naturalmente”, projeta Santin. 

A resistência francesa e a realidade do mercado

Ricardo Santin também comentou sobre os protestos de agricultores franceses, que frequentemente se opõem ao acordo alegando concorrência desleal. Para ele, os argumentos não se sustentam nos dados e refletem apenas protecionismo local. “Não passa de retórica política de problemas internos da França. O lobby dos agricultores lá é muito forte”, avalia.

Ele ressalta que as exportações brasileiras de frango representam menos de 3% do consumo europeu, o que não configura ameaça aos produtores locais, e lembra que há setores na própria França, como os produtores de vinhos, queijos e laticínios, que apoiam o acordo visando o mercado sul-americano.

A porta de entrada na Europa

Atualmente, a logística de distribuição do frango brasileiro na Europa tem a Holanda como principal hub. “A Holanda é quem mais recebe o frango brasileiro. A Alemanha processa localmente, mas a maioria vai para a Holanda”, detalha Santin.

Ele também mencionou o Reino Unido como um parceiro relevante. Após o Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia), as cotas foram separadas, mas os britânicos mantiveram sua posição como grandes compradores da proteína brasileira.
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