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Agro brasileiro usará a Turquia para driblar fechamento de Ormuz

Governo obteve certificado sanitário especial para liberar a passagem de itens de origem animal pela Turquia e reduzir prejuízo de exportadores
26 mar 2026 às 18:21
Por: Band - Viviane Taguchi
Foto: Freepik/frimufilms

Para driblar o fechamento do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, o agro brasileiro está tomando rotas alternativas para que os produtos nacionais, principalmente carnes de frango, bovina e grãos, como a soja, cheguem aos seus destinos. A região é utilizada como ponto de ancoragem para os navios que seguem com destino á Ásia. A medida tem como objetivo evitar prejuízos ao fluxo de exportações, especialmente para mercados do Oriente Médio e da Ásia Central.


Com o novo acordo logístico, o Brasil utilizará a estrutura portuária da Turquia como ponto estratégico de escoamento. O arranjo permite que as cargas agropecuárias atravessem o território turco ou permaneçam armazenadas temporariamente até o embarque para o destino final, evitando a necessidade de transitar por zonas de guerra.


A implementação da rota exigiu ajustes diplomáticos devido às rígidas normas sanitárias da Turquia para produtos de origem animal. Para viabilizar a operação, o governo brasileiro negociou a adoção de um Certificado Veterinário Sanitário específico. Esse documento garante que as mercadorias atendam às exigências locais durante o trânsito ou armazenamento, evitando bloqueios alfandegários.


Em nota oficial, o ministério destacou que a iniciativa oferece maior previsibilidade e segurança aos exportadores em um cenário de instabilidade internacional. A rota, embora já utilizada anteriormente por algumas empresas, tornou-se essencial com o agravamento da crise no Oriente Médio.


Riscos para a produção nacional

O fechamento do Estreito de Ormuz gera preocupação não apenas pelas exportações, mas também pela importação de insumos essenciais. O Brasil é altamente dependente de fertilizantes estrangeiros, importando cerca de 85% do que consome. Estima-se que até 30% das exportações globais desses produtos passem pela região afetada pelo conflito.

Especialistas alertam que a interrupção prolongada das vias marítimas tradicionais pode causar desabastecimento e elevar os custos de produção agrícola nos próximos ciclos. A via de Ormuz é considerada uma das artérias mais estratégicas do planeta, conectando o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e servindo de passagem para petróleo e commodities agrícolas.

O governo brasileiro afirma que manterá o monitoramento das rotas internacionais para assegurar que o comércio agropecuário continue operando sem interrupções críticas, reforçando a atuação diplomática para proteger os interesses do setor.
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