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Boi gordo dispara e arroba bate recorde histórico em março mesmo com crise

Preço médio chegou a ultrapassar os R$ 350 e é o maior já registrado pelo Cepea; falta de pasto e exportações explicam a subida
02 abr 2026 às 10:41
Por:
Foto: Kadijah Suleiman

O setor da pecuária brasileira fechou o mês de março com números que impressionam e batem recordes nunca vistos antes. Mesmo com o clima de incerteza no mundo por conta dos conflitos no Oriente Médio, o preço do boi gordo não parou de subir e atingiu a marca de R$ 356,00 no último dia do mês. Esse é o maior valor nominal de toda a história registrado pelo Cepea, mostrando que o setor segue firme e forte apesar das crises internacionais que costumam mexer com o dólar e o mercado de carnes.


De acordo com os pesquisadores do setor, o que segurou o preço lá no alto foi uma combinação de fatores aqui no Brasil. As chuvas constantes ajudaram a manter o pasto verdinho, o que permitiu que o pecuarista deixasse o boi comendo por mais tempo no campo em vez de mandar direto para o abate. Com menos animais disponíveis para os frigoríficos comprarem, a oferta caiu e os compradores não tiveram outra saída a não ser abrir o bolso e pagar mais caro pela arroba para não ficar com as máquinas paradas.


A média do boi gordo em março ficou na casa dos R$ 350,18, um salto considerável em relação aos R$ 342,25 registrados em fevereiro. Além da pouca oferta interna, a demanda externa continuou muito aquecida, com outros países comprando grandes quantidades da carne brasileira. Esse cenário deu um fôlego extra para o produtor rural, que conseguiu negociar melhores valores e viu o rendimento real da atividade ser o maior desde o início de 2022, recuperando parte do poder de compra perdido nos últimos anos.


Com as escalas de abate cada vez mais curtas nos frigoríficos, o mercado encerrou o trimestre em um ritmo acelerado de valorização. Para o consumidor final, essa pressão no campo costuma refletir nas gôndolas dos supermercados e açougues nas semanas seguintes. Resta saber se o consumo interno vai suportar esses novos patamares de preço ou se a carne bovina vai ceder espaço para outras proteínas agora que o período da Quaresma ficou para trás e o churrasco de domingo volta com tudo.

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