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Brasil amplia comércio com países árabes apesar de conflito no Golfo

Mesmo com tensões no Oriente Médio e gargalos marítimos, exportações brasileiras alcançaram US$ 11,26 bilhões até julho; vendas árabes ao país subiram 12,2%
25 ago 2026 às 21:58
Por: Band

O fluxo comercial entre o Brasil e os países árabes mantém ritmo de expansão em 2026. Mesmo diante do cenário de instabilidade no Oriente Médio — que gerou restrições ao tráfego de navios no Estreito de Ormuz e dificultou o acesso a mercados estratégicos da região —, as trocas bilaterais avançaram nos sete primeiros meses do ano.


Segundo levantamento da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), as exportações do Brasil para os 22 países da Liga Árabe somaram US$ 11,26 bilhões entre janeiro e julho, alta de 3,71% na comparação com igual período de 2025. Por outro lado, o Brasil também aumentou suas compras do bloco: as importações de produtos árabes cresceram 12,22%, atingindo US$ 6,13 bilhões.


Resiliência do agronegócio e logística

Os resultados foram detalhados durante o Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, realizado nesta terça-feira (25), em São Paulo. Durante a abertura, o presidente da entidade, William Adib Dib Júnior, ressaltou a capacidade de adaptação dos setores produtivos frente às incertezas globais. "No início do ano, fomos todos surpreendidos por conflitos na região do Golfo cujos impactos foram sentidos nos quatro cantos do mundo. Ao longo dos meses subsequentes, a resiliência do agronegócio brasileiro, das cadeias de fertilizantes árabes e dos sistemas logísticos internacionais permitiram minimizar os efeitos desta situação", afirmou Dib Júnior.


Oportunidade para produtos industrializados e energia limpa

Apesar do desempenho positivo, a entidade avalia que a parceria ainda tem margem expressiva de crescimento. Atualmente, os alimentos respondem por cerca de 75% da pauta exportadora brasileira para a região, concentrados principalmente em commodities agrícolas. O desafio, segundo Dib Júnior, é ampliar a presença de produtos industrializados e de maior valor agregado, nicho em que a indústria nacional é competitiva.


  • Energia e sustentabilidade: Projetos voltados à descarbonização e fontes renováveis;
  • Internacionalização: Atração de empresas brasileiras para zonas francas no mundo árabe, aproveitando benefícios fiscais e acordos de livre comércio locais com a Europa e a Ásia;


"Brasil e países árabes mantêm sinergias evidentes para a integração dos ecossistemas produtivos, de inovação e também no turismo. Além disso, possuem mercados de consumo muito dinâmicos", concluiu o executivo.

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