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Colheita de café avança, mas chuvas mudam rumo dos preços

Clima úmido interrompe sequência de quedas nas cotações no início de junho, reduz a oferta e traz preocupações sobre o padrão e o tamanho dos grãos
17 jun 2026 às 15:57
Por: Band
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

As chuvas registradas desde o dia 10 de junho nas principais regiões produtoras de café arábica mudaram a tendência do mercado nacional e provocaram uma reação nos preços. O início do mês havia sido marcado por fortes quedas nas cotações devido ao avanço da colheita da safra 2026/27, mas o cenário de instabilidade climática reduziu a oferta imediata do produto.


Segundo pesquisadores do Cepea (Centro de Pesquisas Econômicas Aplicadas), o clima úmido afeta o andamento dos trabalhos de campo e traz preocupações sobre o padrão do produto final. Além de atrasar o ritmo das máquinas e das equipes, a umidade excessiva prejudica o processo de secagem do grão.


Contraste entre volume e qualidade


A colheita deste ano apresenta uma realidade de contrastes para a cafeicultura brasileira. Enquanto estimativas oficiais de órgãos públicos e consultorias privadas apontam para uma safra recorde em volume, os relatos práticos dos produtores rurais indicam problemas na atual temporada.


Agentes do setor afirmam que o tamanho da peneira (calibre do grão) e a qualidade geral estão inferiores aos registrados no ciclo anterior. As precipitações frequentes nesta fase do ano podem agravar a situação do arábica, que necessita de tempo seco para preservar suas propriedades originais de sabor e aroma.


Robustecimento do café conilon


O mercado do café robusta (conilon) atua de maneira distinta e apresenta maior sustentação nas tabelas de preços. A variedade, amplamente utilizada pelas indústrias de café solúvel, registra cotações mais firmes e estáveis.

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O motivo principal para a valorização do robusta são as projeções de uma safra menor em comparação com a anterior. Os pesquisadores do Cepea destacam que a quebra na produção mantém a oferta restrita no mercado interno, o que garante o suporte para os preços mesmo durante o pico do período de colheita.

O fluxo de abastecimento do mercado interno dependerá diretamente da regularização do clima nas fazendas. Para o produtor de arábica, a elevação recente nos preços compensa apenas parte das perdas causadas pelo rendimento menor dos lotes colhidos.


O andamento das atividades nas próximas semanas será decisivo para consolidar o volume total da safra brasileira. Cooperativas agrícolas seguem monitorando os mapas meteorológicos à espera do retorno do tempo firme.

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