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Congresso Nacional aprova renegociação de dívidas de produtores rurais

Medida prevê R$ 100 bilhões para socorro aos produtores rurais, com condições especiais para prejuízos climáticos
16 jul 2026 às 08:53
Por: Agência Brasil
Ilustrativa

O Congresso Nacional fechou, nesta quarta-feira (15), um acordo para viabilizar a renegociação das dívidas dos produtores rurais brasileiros. O montante financeiro negociado chega a R$ 100 bilhões. A medida é apontada como um alento essencial para o agronegócio, pilar fundamental do Produto Interno Bruto (PIB) do país, que enfrenta severas dificuldades financeiras provocadas, no último ano, por juros altos, elevação nos custos de produção de alimentos — agravada por conflitos geopolíticos — e prejuízos climáticos no campo.


De acordo com o deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o entendimento busca responder a uma "tempestade perfeita" no setor. O cenário atual combina taxas de juros elevadas, custos de produção altos e uma queda expressiva nos preços das commodities, como soja, milho e boi gordo.


O endividamento dos produtores gera preocupação generalizada, pois a falta de crédito restringe a oferta e tende a elevar o preço dos alimentos nas gôndolas dos supermercados, pressionando a inflação brasileira. O acordo ganhou contornos de urgência devido à situação do Rio Grande do Sul, estado que é grande produtor de soja, milho e trigo, mas que enfrenta quatro anos consecutivos de perdas provocadas por intempéries climáticas.


Detalhes da Renegociação

A tramitação da matéria enfrentou impasses com o governo federal. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), relembrou que a proposta original estava travada há cerca de um ano. O texto final, embora não atenda integralmente a todos os pedidos da bancada ruralista, foi classificado como a solução possível para o momento.


Entre os pontos definidos, destaca-se a operacionalização do socorro por meio da Cédula de Produto Rural (CPR), título que representa uma promessa de entrega futura de produto agropecuário. Contudo, o instrumento ainda demandará ajustes legais, uma vez que possui regime tributário e taxas de juros específicos.


Sobre os termos financeiros, Lupion pontuou que o setor cedeu em relação aos juros e prazos. A expectativa era obter taxas mais baixas, mas o acordo estabeleceu patamares que podem chegar a 11%. Os períodos de carência e de pagamento também ficaram mais curtos do que o pleito inicial dos parlamentares. A expectativa é que a medida provisória que oficializa o acordo seja publicada pelo governo federal ainda nesta semana.

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