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Embrapa abre edital para novo clone de caju com o dobro de produtividade

BRS 805 apresenta resistência a pragas e é ideal para o litoral; viveiristas credenciados podem adquirir lotes do material até o dia 6 de fevereiro
14 jan 2026 às 17:42
Por: Band
Ilustração

A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) anunciou, nesta quarta-feira (14), a abertura de um edital para a oferta de material propagativo de sua mais nova aposta para a cajucultura: o clone BRS 805. A cultivar, desenvolvida para se adaptar às condições do litoral do Ceará e regiões semiáridas, promete revolucionar o rendimento no campo com índices de produtividade muito superiores à média atual.


Oportunidade para viveiristas

O edital, que fica aberto até às 17h do dia 6 de fevereiro de 2026, é direcionado exclusivamente a viveiristas que possuam inscrição ativa para a cultura do caju no Renasem (Registro Nacional de Sementes e Mudas).

A Embrapa disponibilizou vinte lotes para aquisição. Cada lote é composto por 50 "garfos" — hastes utilizadas no processo de enxertia para reproduzir a planta geneticamente idêntica — retirados de plantas básicas da cultivar.

O investimento é acessível, fixado em R$ 100 por lote, sendo permitida a compra de apenas uma unidade por viveirista. O objetivo é pulverizar a genética de alta performance entre diferentes produtores de mudas.

Aline Teixeira, chefe-adjunta de Transferência de Tecnologia da Embrapa Agroindústria Tropical, projeta que a tecnologia chegue ao campo em breve. Segundo ela, após a distribuição para os viveiristas, o material deverá estar disponível para os produtores rurais já no próximo ciclo produtivo.

A especialista destaca a importância estratégica desse lançamento. Para Teixeira, a existência de mais um clone no mercado contribui diretamente para a diversificação nos pomares. Ela avalia que essa variedade genética é fundamental para a convivência com pragas e doenças, garantindo a sustentabilidade do negócio agrícola a longo prazo.

Salto de produtividade no campo

O grande diferencial do BRS 805 está nos números apresentados durante os testes de campo. O clone é o 14º desenvolvido pelo Programa de Melhoramento Genético do Cajueiro e foi avaliado em condições de sequeiro — ou seja, sem irrigação artificial — nos municípios cearenses de Pacajus, Itapipoca e Cruz.

Os resultados impressionam. Entre o 5º e o 7º ano de vida, a planta produziu o dobro de castanha e de pedúnculo (a parte carnosa da fruta, usada para sucos e doces) quando comparada à cultivar mais utilizada atualmente pelos produtores.

Em números absolutos, o BRS 805 registrou uma produtividade de 1.800 kg de castanha por hectare. Já a produção do pedúnculo atingiu uma média anual de 23,8 toneladas por hectare.

A qualidade do produto final também foi foco do desenvolvimento. A castanha possui padrão adequado para as exigências do rigoroso mercado internacional. Já o pedúnculo, de cor vermelha e formato cônico, é recomendado preferencialmente para o processamento industrial, atendendo à demanda das fábricas de sucos e alimentos.

Resistência e economia

Além da alta produtividade, a nova cultivar oferece vantagens fitossanitárias que impactam diretamente o bolso do produtor. O BRS 805 apresentou maior segurança contra doenças em comparação ao clone testemunha utilizado nos testes.

A planta possui maior resistência ao oídio, uma doença fúngica que ataca as folhas e flores, e se mostrou resistente também ao mofo-preto, à antracnose e à septoria.

Essa robustez genética traduz-se em menor necessidade de aplicação de defensivos agrícolas. Isso resulta em um menor custo de produção e, consequentemente, em uma maior segurança alimentar para o consumidor final, que recebe um produto com menos intervenções químicas.

Características técnicas e manejo

O BRS 805 é uma planta de porte baixo-médio, o que facilita o manejo e a colheita. Seu florescimento ocorre a partir de junho, com a produção estendendo-se de setembro a dezembro, considerando as condições normais de estação chuvosa na região.

O espaçamento recomendado pela pesquisa é de 8 x 8 metros, em sistema quadrado, o que resulta em uma densidade de 156 plantas por hectare.

A arquitetura da planta, com copa em formato piramidal, também foi pensada para o futuro da atividade. Segundo a Embrapa, essa conformação é adaptável a implementos mecanizados de colheita, uma tendência crescente para otimizar a mão de obra no campo.

Além disso, o clone é versátil, permitindo o consórcio com culturas anuais (como feijão ou milho) e a integração com a pecuária, como a criação de ovinos nas entrelinhas do pomar. O edital completo com todas as regras para aquisição pode ser consultado diretamente no portal da Embrapa.

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