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Exportação de frutas para a Europa cresce 19% e acordo promete novo salto

Brasil registra aumento significativo no volume de frutas frescas enviadas ao mercado europeu em 2025
20 jan 2026 às 18:43
Por: Band

A fruticultura brasileira vive um momento de forte expansão no mercado internacional. Em 2025, as exportações de frutas para a Europa registraram uma alta de 19,1% em volume em comparação ao ano anterior. O desempenho positivo ocorre em um cenário estratégico: a recente assinatura do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, que promete eliminar barreiras tarifárias e impulsionar ainda mais o setor nos próximos anos.


Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o grupo composto por manga, melão, limão, melancia, uva e mamão não cresceu apenas em quantidade, mas também em faturamento, apresentando uma alta de 12,8% em valor. Ao todo, o Brasil exportou 1,2 milhão de toneladas de frutas frescas no último ano, gerando uma receita de aproximadamente US$ 1,3 bilhão.


O impacto do acordo Mercosul-União Europeia

A assinatura do tratado, ocorrida no último sábado (17), no Paraguai, encerra uma negociação de 25 anos e é vista como um marco para o agronegócio nacional. Na prática, o acordo reduz ou extingue tarifas de importação que hoje variam entre 4% e 14% para os produtos brasileiros que entram no bloco europeu.

Para a engenheira agrônoma Patrícia Cesarino, gerente de marketing da Ascenza Brasil, a medida é um "divisor de águas". Ela avalia que a eliminação dessas taxas aumentará a competitividade do Brasil frente a concorrentes como Peru, Chile e México, que já gozavam de isenções. "O acordo cria condições para que o crescimento observado em 2025 se acelere, com mais previsibilidade e investimentos", afirma a especialista.

A estimativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) é otimista: projeta-se que o faturamento da fruticultura brasileira dê um salto de 40%, atingindo o valor de US$ 1,8 bilhão até 2029.

Melancia e melão lideram o desempenho no campo

Dentre os produtos que cruzaram o Atlântico, a melancia foi o grande destaque de crescimento em 2025. O volume exportado da fruta subiu 44,3%, saltando de 115,8 mil toneladas em 2024 para 167,1 mil toneladas no ano passado. Em termos financeiros, o avanço foi ainda maior: 60,5% de alta na receita, totalizando US$ 109,9 milhões.

O melão e a manga continuam sendo os pilares da pauta exportadora de frutas para o continente. Os agricultores brasileiros enviaram 269,5 mil toneladas de melão e 226,3 mil toneladas de manga para a Europa em 2025. Atualmente, manga e mamão já entram no bloco com tarifa zero devido à dependência europeia dessas frutas brasileiras, mas outros itens passarão por transições graduais.

Com a entrada em vigor do tratado, a tarifa sobre a uva fresca será zerada de imediato. Já para melão, melancia e limão, a redução será escalonada até atingir a isenção total em um período de sete anos. Para o abacate, o prazo é de quatro anos, enquanto a maçã terá as taxas eliminadas em dez anos.

Panorama do café e mercado internacional

O relatório do MDIC também trouxe dados sobre o café, produto essencial da balança comercial brasileira. O setor registrou um fenômeno curioso em 2025: embora o volume exportado tenha recuado de 1,6 milhão para 1,3 milhão de toneladas, a receita deu um salto de 34,2%, atingindo US$ 8,7 bilhões.

A valorização dos preços internacionais justifica o aumento do faturamento mesmo com o embarque de uma quantidade menor do grão. A Europa, liderada por Alemanha e Itália, permanece como o principal destino do café brasileiro. Para os especialistas do AgroBand, a manutenção de receitas elevadas deve seguir como tendência para este ano, consolidando a posição do Brasil como fornecedor global confiável e sustentável.
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