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Fungo pode ser usado para controlar pragas na produção de bananas

O uso de fungos selecionados pode ser uma alternativa para o controle biológico do moleque-da-bananeira
02 jan 2025 às 20:29
Por: Band
Foto: Pixabay

O uso de fungos selecionados pode ser uma alternativa para o controle biológico do moleque-da-bananeira, um tipo de inseto que provoca uma das pragas mais frequentes na produção de bananas. A técnica, que evitaria a aplicação de agrotóxicos, está sendo pesquisada em laboratórios da Universidade Tiradentes (Unit), do Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITP) e da Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro). 


O estudo é tema de uma dissertação de mestrado que será defendida em janeiro de 2025 no Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Industrial (PBI), da Unit, e se debruça sobre a seleção, melhoramento e aplicação de fungos entomopatogênicos, isto é, que causam doenças em insetos. 


O objetivo é controlar a proliferação do Cosmopolites sordidus, um besouro de cor preta que é conhecido mundialmente por ser uma das principais pragas da cultura da banana. Sua incidência ocorre em praticamente todos os países onde ela é produzida, afetando todas as variedades do fruto. Os danos causados pela praga provocam uma redução de produtividade do bananal, que pode variar de 30% a até 80% em determinadas variedades. 


Os sintomas são o desenvolvimento limitado das plantas, o surgimento de folhas amareladas e secas, ausência de frutificação, cachos mais leves e bananas mais curtas e/ou finas, ou seja, fora do padrão comercial.


“Este inseto causa danos no rizoma da planta, que é parte da planta localizada embaixo da terra, onde saem as raízes. A fêmea adulta do inseto coloca os seus ovos no rizoma, onde eclodem as larvas; estas abrem galerias de forma ascendente na planta. Os danos das larvas permitem a entrada de patógenos na planta. As galerias abertas pelas larvas desta praga debilitam as plantas e as deixam mais suscetíveis ao tombamento. Em plantas mais jovens, ocorre a morte da gema apical e a paralisação do seu crescimento”, explica Marcelo da Costa Mendonça, professor do PBI/Unit. 

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Além de coordenar a pesquisa, Marcelo é o orientador da dissertação de mestrado, que está sendo produzida pelo pesquisador Lucas Jefferson Santos Barboza. Ele é aluno de mestrado do PBI e já atuava no desenvolvimento de técnicas para otimização da produção de fungos entomopatogênicos. Ele explica que o objetivo da atual pesquisa é selecionar exemplares isolados de fungos encontrados no próprio ambiente natural, avaliando o potencial de patogenicidade e virulência destes microrganismos para adoentar e matar o moleque-da-bananeira, promovendo seu consequente controle biológico.


“O estudo apresenta uma alternativa sustentável para a sociedade, mostrando que é possível utilizar as ferramentas fornecidas pela natureza. Ele contribui para o avanço das pesquisas agrárias sobre controle biológico de pragas e doenças, reduzindo o uso de pesticidas, evitando a contaminação dos frutos e preservando a saúde dos trabalhadores rurais”, diz Lucas.


Mendonça acrescenta que a pesquisa, ao buscar um método biológico para o controle da praga, segue a tendência mundial de redução da utilização de agrotóxicos e inseticidas químicos no controle de pragas e doenças nas diferentes culturas. “Vários motivos reforçam essa tendência de reduzir a aplicação de inseticida químico nas lavouras, incluindo a contaminação ambiental, as doenças causadas pela intoxicação com esses produtos, o desequilíbrio ambiental com a morte de organismos benéficos, a presença de resíduos químicos dos agrotóxicos em frutas e verduras, entre outros”, elenca. 


A pesquisa


Os trabalhos da pesquisa começaram há pouco mais de um ano e meio, a partir da demanda de um pequeno agricultor que procurou o professor Marcelo após um treinamento, para tirar dúvidas sobre uma praga de insetos que estava infestando as bananeiras plantadas em seu sítio, no povoado Adique, em Malhador (agreste de Sergipe). A partir de uma visita ao local, foi constatado que o bananal estava infestado pelos insetos e pelas larvas. Vários deles foram colhidos para a realização de etapas da pesquisa, que ocorreram no Laboratório de Biologia Molecular (LBMol), do ITP; no Laboratório de Controle Biotecnológico de Pragas (LCBiotec), ligado à Emdagro e ao SergipeTec. 


Na primeira, uma seleção foi feita a partir do banco de fungos entomopatogênicos do LCBiotec, no qual alguns agentes causadores de patógenos foram testados nos besouros que eram coletados no sítio de Firmino. Um destes fungos provocou 100% de mortalidade dos insetos em laboratório. A partir daí, ocorreram outras duas etapas de laboratório da pesquisa, que definiram a estrutura física produzida pelo microorganismo e sua concentração letal média, de modo a otimizar a sua eficácia de ação. 


Atualmente, acontece a quarta etapa da pesquisa, na qual é testada a forma de aplicação do fungo para o controle da praga, usando plantas de banana cultivadas em uma estufa agrícola. “Após os testes em laboratório, o isolado será aplicado em campo, e será realizada uma avaliação do fluxo populacional do inseto na propriedade. Quando o fungo entra em contato com o hospedeiro (o moleque-da-bananeira), ele é transmitido para outros indivíduos, já que esses insetos possuem um hábito social. Assim, o fungo infecta os demais, promovendo o controle da população”, afirma Lucas.


A partir da confirmação dos resultados e da aprovação junto às instâncias regulatórias, o método de controle natural poderá ser aplicado nas propriedades infestadas pela praga. A expectativa é de que o conhecimento produzido na pesquisa seja transferido para  empresas e instituições produtoras de bioinsumos agrícolas, que tenham a capacidade de produzir a tecnologia em escala e fazê-la chegar aos produtores orgânicos de frutas e outros produtos agrícolas. 


“Estes produtores são impedidos de utilizar métodos químicos para o controle de pragas, e, muitas vezes, ficam suscetíveis a perdas de produção em suas lavouras por falta de opção para manejar os danos fitossanitários nas culturas agrícolas. Para a pesquisa científica o formato de desenvolvimento do projeto é muito significativo, pois estamos atendendo uma demanda direta, um problema de um produtor, cujo a solução poderá atender muitos outros produtores de banana da região, sendo estes produtores orgânicos ou convencionais”, argumenta Mendonça.


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