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Importação de trigo bate recorde de 12 anos e pressiona preços no campo

Com estoques abastecidos pela oferta externa barata, indústria reduz ritmo de compras neste início de ano; cotações pagas ao produtor recuam
14 jan 2026 às 17:51
Por: Band
Divulgação/Confederação Nacional de Agricultura (CNA)

O mercado brasileiro de trigo vive um cenário de contrastes neste início de 2026. Enquanto o volume de importações do cereal encerrou o ano passado nos níveis mais altos em mais de uma década, o produtor nacional enfrenta um momento de preços pressionados e liquidez travada. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a entrada de trigo estrangeiro no Brasil em 2025 foi a maior desde 2013, o que redesenhou a dinâmica de negociações para a safra atual.


Abertura de mercado e volume recorde

O fluxo intenso de chegadas nos portos foi impulsionado por uma combinação favorável aos moinhos brasileiros: preços externos atrativos e uma ampla oferta global do grão. Essa janela de oportunidade fez com que as indústrias nacionais antecipassem compras e formassem estoques robustos.

Os números confirmam a tendência de alta. No acumulado de 2025, o Brasil importou 6,894 milhões de toneladas, um crescimento de 3,7% em comparação ao ano anterior. O destaque ficou para a reta final do ano: somente em dezembro, desembarcaram 698,74 mil toneladas de trigo no país. Esse foi o segundo maior volume mensal do ano — atrás apenas de janeiro — e o dezembro mais movimentado para o setor desde 2016.

Indústria abastecida freia negociações

O reflexo direto desse volume massivo de importações é sentido agora, "da porteira para dentro". Com os armazéns confortavelmente abastecidos pelo produto importado, as empresas domésticas (moinhos e processadoras) iniciaram 2026 sem urgência de compra.

Essa postura retraída da indústria gera um descompasso entre oferta e demanda no mercado interno. Sem a necessidade imediata de adquirir a matéria-prima nacional, os compradores impõem pressão sobre os valores. Como resultado, na última semana, o preço pago diretamente ao produtor registrou queda na maioria das regiões acompanhadas pelos pesquisadores do Cepea.

Para o agricultor, o cenário exige cautela e estratégia na comercialização, já que a "mão" do mercado está, neste momento, favorável ao comprador.

O comportamento no mercado de lotes

Apesar da queda no valor pago ao produtor individual, o mercado de lotes — que envolve negociações de grandes volumes, geralmente entre cooperativas e cerealistas — apresentou um movimento inverso. Com exceção do Paraná, as cotações nesse segmento subiram.

Essa valorização pontual não reflete um aumento de demanda, mas sim uma estratégia de defesa dos vendedores. Diante dos preços baixos oferecidos pela indústria, quem detém o grão (cooperativas e grandes produtores) optou por recuar e não vender agora.

A expectativa desses vendedores é aguardar o avanço do período de entressafra — intervalo entre o fim de uma colheita e o início da próxima —, quando a oferta natural do produto diminui e os preços tendem a reagir. Esse "jogo de paciência" cria um cenário de travamento: a indústria não quer pagar mais porque tem estoque, e o vendedor não quer entregar barato esperando a valorização futura.

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