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Indústria da laranja "pisa no freio" e aguarda maio para fechar novos contratos

Com estoques cheios e queda nas vendas para a Europa, setor vive clima de apreensão antes do início do novo ciclo produtivo
17 abr 2026 às 11:22
Por: Cepea
Reprodução/Agro+

O início da nova safra brasileira de laranja (2026/27) no cinturão de São Paulo e Triângulo Mineiro está cercado de dúvidas que tiram o sono dos produtores. Diferente de anos de bonança, o mercado agora vive um momento de espera, com a indústria evitando sinalizar preços ou fechar novos contratos de recebimento. Segundo pesquisadores do Cepea, a definição real sobre quanto a fruta vai valer e qual será o volume comprado só deve sair no dia 8 de maio, quando o Fundecitrus divulgará o levantamento oficial da safra.


A tendência é que o novo ciclo seja ligeiramente menor que o anterior, mas ainda assim volumoso. O grande problema é que as fábricas ainda estão com os estoques cheios de suco de boa qualidade da temporada passada, o que diminui a pressa para comprar fruta nova. Além disso, a safra deste ano promete ser mais "atrasada", com a maior parte da produção concentrada na chamada segunda florada, o que muda todo o planejamento de colheita e logística das fazendas.


O cenário internacional também não ajuda. O Brasil, que é o maior exportador do mundo, está encontrando dificuldades para escoar o suco e realizar os embarques nos portos. O mercado da Europa, que tradicionalmente é o maior comprador da nossa laranja, ainda não adquiriu as quantidades de costume, deixando o setor sem uma visão clara sobre a demanda externa. Essa falta de compradores lá fora reflete diretamente no preço pago ao produtor aqui no interior.


Com tantas variáveis em jogo, o setor entra no novo ciclo em estado de atenção máxima. O equilíbrio entre o que sobra nos tanques das indústrias e a capacidade de absorver a nova colheita será o fiel da balança para os próximos meses. Por enquanto, o conselho para o citricultor é ter cautela e aguardar os números de maio, já que qualquer movimento precipitado agora pode significar prejuízo no fechamento das contas lá na frente.

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