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Início da colheita da safra de soja encarece o preço do frete no Brasil

Com expectativa de 178 milhões de toneladas, colheita da oleaginosa e escoamento do milho geram gargalos e alta de até 15% nas principais rotas, aponta Conab
06 mar 2026 às 18:34
Por: Band
Colheita da soja em regiões como o Mato Grosso impactam o custo do frete
Wenderson Araújo/CNA

O início da colheita da soja na região centro-oeste e sul já está impactando o mercado de transporte de grãos em todo o país. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a alta demanda pelo serviço de frete tem elevado os preços nas principais rotas escoadoras, refletindo a expectativa de uma produção recorde estimada em 178 milhões de toneladas.


O movimento é impulsionado pela necessidade de retirar o grão das fazendas e, simultaneamente, acelerar o escoamento do milho da safra passada para liberar espaço nos armazéns. "O movimento reflete a sazonalidade deste mercado, em que máximas nas cotações são esperadas para janeiro e fevereiro", diz o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth.


Quando o preço do frete sobe, o custo de produção do agricultor aumenta, pois o transporte consome uma fatia maior do valor final da saca. Em anos de safra recorde, como 2026, a eficiência logística torna-se o principal desafio para garantir que o grão chegue ao destino sem comprometer a rentabilidade do setor.

Soja de Mato Grosso

O principal estado produtor de grãos do país, Mato Grosso, registrou altas expressivas no frete em janeiro e fevereiro. Com um terço da safra já colhida e a previsão de que fevereiro concentre 50 milhões de toneladas, a oferta de caminhões começa a mostrar limitações para atender a demanda do agronegócio.


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A disputa por espaço nos corredores logísticos entre a soja nova e o milho da safra anterior gera é o que especialistas chamam de "inflação de fretes". Além de Mato Grosso, o Distrito Federal e Mato Grosso do Sul também registraram demandas firmes e aumentos generalizados nas cotações rodoviárias.


No Piauí, embora a movimentação tenha sido restrita no início do ano, a perspectiva de escoamento da nova safra elevou os preços em 15% na comparação com dezembro. Por outro lado, em Goiás a concentração crítica da colheita começou em 20 de fevereiro, e a movimentação deve atuar como o principal catalisador para a escalada nos custos logísticos de curto prazo no estado.

Cenário em outras regiões

Nem todo o país segue a tendência de alta imediata. Na Bahia e no Maranhão, os valores permaneceram estáveis. No estado baiano, a tendência foi influenciada pelos baixos preços do grão e estoques reduzidos, enquanto no Maranhão a estabilidade do preço do diesel, conforme dados da ANP, ajudou a segurar os custos.


Em São Paulo, houve até uma queda nos valores em janeiro devido à demanda momentaneamente fraca. No entanto, a Conab alerta que a pressão da soja deve inverter essa tendência já a partir de fevereiro. No Paraná, a demanda oscilante fez com que os preços refletissem apenas particularidades regionais e a disponibilidade de cargas de retorno.

Exportações e o papel dos portos

O fluxo de exportação também impacta o ritmo logístico. Em janeiro, os embarques de milho somaram 4,2 milhões de toneladas, com o Arco Norte sendo o principal eixo de escoamento, representando 44,7% da movimentação, seguido por Santos (36,9%) e Paranaguá (10,4%).


No caso da soja, o volume exportado atingiu 1,8 milhão de toneladas no primeiro mês do ano. O Porto de Santos liderou como o principal canal de saída da oleaginosa, escoando 35,3% do volume nacional, seguido de perto por Paranaguá, com 34%.

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