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Óleo natural é testado contra superbactéria da mastite bovina

Estudo com Palo Santo combate infecção em vacas e busca evitar barreiras da União Europeia às exportações de carne e leite do Brasil
04 ago 2026 às 18:06
Por: Band - VIVIANE TAGUCHI

Cientistas da Universidade de Franca (Unifran) identificaram um tratamento natural promissor para combater a mastite bovina, uma infecção mamária grave que afeta a pecuária de leite. A novidade ganha relevância diante da ameaça da União Europeia de suspender a compra de produtos de origem animal do Brasil a partir de 3 de setembro de 2026, caso o país não comprove a redução do uso de antibióticos nos rebanhos.


A mastite bovina é uma inflamação na glândula mamária das vacas, provocada por microrganismos, que compromete a qualidade do leite e reduz drasticamente a produção. Para contornar o problema da resistência bacteriana aos remédios tradicionais, os pesquisadores testaram uma formulação inovadora feita com o óleo essencial da planta Palo Santo.


O estudo foi desenvolvido durante o mestrado de Amanda Marques Figueiredo no Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal da Unifran, sob a orientação do professor Silvio Almeida-Junior. Os resultados da investigação foram publicados na revista científica internacional Antonie van Leeuwenhoek.


Para tornar o extrato vegetal viável no campo, a equipe utilizou a tecnologia de nanoemulsão. O processo organiza o óleo em gotículas microscópicas, o que aumenta a durabilidade do produto e facilita a penetração nas bactérias causadoras da doença.


Em testes realizados no laboratório, a solução natural mostrou alta eficácia contra dez tipos de microrganismos isolados de propriedades leiteiras. O principal destaque foi a ação positiva contra a bactéria Staphylococcus aureus, incluindo uma cepa de superbactéria resistente a medicamentos convencionais (MRSA).

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Segundo a cientista Amanda Marques Figueiredo, a formulação conseguiu atuar diretamente contra os principais agentes causadores da infecção. Contudo, ela ressalta que o estudo representa um ponto de partida científico e não significa uma recomendação de uso imediato nas propriedades rurais.


A pesquisadora pondera que a redução responsável dos antimicrobianos no campo depende de estratégias combinadas, que incluem prevenção, diagnóstico preciso e alternativas validadas pela ciência. A formulação apresentou baixa eficácia contra bactérias das espécies Escherichia coli, Corynebacterium bovis e Streptococcus uberis.


Em testes preliminares desenvolvidos em modelos de laboratório, o produto de Palo Santo não apresentou sinais de toxicidade nem efeitos colaterais graves. Além do combate aos microrganismos, a substância demonstrou potencial para o alívio da dor do animal.


Apesar dos avanços, os autores alertam que o extrato ainda não foi testado diretamente no ubere das vacas. Por essa razão, não há definição sobre dosagens comerciais nem avaliação sobre possíveis impactos de resíduos no leite entregue ao consumidor.


Por envolver etapas pendentes de validação, a formulação de Palo Santo não possui autorização para uso prático nas fazendas e necessita de novas fases de pesquisa antes de chegar ao mercado. A iniciativa integra os trabalhos do programa da Unifran voltados ao desenvolvimento de soluções que reduzam os antibióticos na pecuária.


O projeto está alinhado ao conceito de "Saúde Única", diretriz global que busca integrar a saúde animal, humana e ambiental de forma sustentável. A instituição de ensino também investiga o potencial de outros compostos vegetais com propriedades parecidas, como o óleo essencial de canela.


A exigência da União Europeia coloca pressão sobre os produtores rurais brasileiros para adotarem práticas mais sustentáveis de manejo sanitário. A infecção não tratada adequadamente prejudica o bem-estar dos bovinos e gera prejuízos financeiros elevados à cadeia leiteira.


Embora a descoberta não resolva de imediato as barreiras alfandegárias europeias fixadas para 2026, o avanço da ciência nacional sinaliza um caminho viável de médio e longo prazo. A busca por alternativas naturais visa manter a pecuária brasileira competitiva e garantir alimentos seguros para o mercado interno e externo.

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