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Pesadelo dos canaviais, broca ataca lavouras de sorgo, alerta Embrapa

Variedade de sorgo granífero é o tipo mais afetado pela praga, que já dizimou canaviais pelo Brasil
24 set 2024 às 16:22
Por: Band
Saul Coelho Nunes/Embrapa

A broca-da-cana-de-açúcar (Diatraea saccharalis), praga que já dizimou lavouras de cana e hoje é controlada por uma vespinha nas plantações das usinas, agora é um pesadelo para os agricultores que cultivam sorgo. Um estudo da Embrapa mostrou que as lavouras de sorgo granífero, quando atacadas pela broca, ficam com rendimento comprometido. 


O estudo utilizou híbridos comerciais comumente plantados no Brasil e mostraram suscetibilidade do sorgo granífero à broca-da-cana-de-açúcar, também conhecida por broca-do-colmo, sob altos níveis de infestação, causando perdas substanciais na produtividade quando não tratados com o inseticida.


O artigo What is the potential of sugarcane borer in reducing sorghum fitness and grain production? (Qual o potencial da broca-da-cana-de-açúcar na redução da aptidão do sorgo e na produção de grãos?), publicado no Journal of Applied Entomology, registra uma pesquisa realizada durante três safras, entre 2021 e 2023, na Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas (MG). “Recentemente temos falado muito do pulgão-do-sorgo (Melanaphis sorghi), obviamente, porque tem causado grandes prejuízos às lavouras desse cereal em função da dificuldade de controle. Contudo, esse estudo mostra os prejuízos causados pela broca-do-colmo, na cultura”, relata Camila Souza, cientista da Embrapa e autora do estudo.


Souza diz que a broca passa despercebida por causa de seus hábitos: vive escondida dentro do colmo da planta do sorgo, cujos prejuízos foram medidos, pela primeira vez nesse trabalho e, dependendo do híbrido, pode alcançar em torno de 50% da produção. Os prejuízos têm sido controlados com uso de inseticidas, tanto para lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) quanto para o pulgão-do-sorgo . 


A pesquisadora relata que, recentemente, o pulgão-do-sorgo tem recebido muita atenção do produtor. É uma praga detectada há pouco tempo na cultura. Os primeiros relatos de prejuízos econômicos foram feitos na safra de 2018/2019. “Apesar dos prejuízos severos que o pulgão vem causando, não se pode neglicenciar o monitoramento das demais pragas da lavoura, como a broca”, alerta.

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A broca foi capaz de causar perdas de produtividade de até 100% em casos mais severos, quando as plantas não foram tratadas com inseticida em híbrido menos tolerante. O híbrido mais produtivo e tolerante registrou perda de 50%. Isso mostra como híbridos de sorgo podem se comportar de forma diferente no campo sob a mesma infestação de pragas. Por isso, é importante o produtor estar atento também à infestação dessa praga no campo, uma vez que o uso de híbrido suscetível combinado com o não uso de inseticidas pode levar a prejuízos severos.


Segundo Camila Souza, apesar da importância dessa espécie de inseto-praga, pouco se sabia sobre a relação entre a infestação por broca e a redução na produtividade de grãos de sorgo. Outra demanda era saber o limiar de ganho e o nível de injúria econômica para a tomada de decisão de controle de pragas.


“Conforme publicado no estudo, fizemos uma medição criteriosa, tanto dos parâmetros da infestação dessa praga, quanto de produtividade da cultura, avaliamos desde o comprimento das galerias (gráfico nesta matéria) causadas pela alimentação da broca, como a altura de plantas, comprimento e peso das panículas, além da injúria da broca do caule e comprometimento da produtividade de grãos. A infestação da broca-da-cana-de-açúcar foi maior quando as plantas de sorgo não foram tratadas com inseticida, resultando em menor produtividade”, explica Souza.


Com o uso de inseticida para o controle da praga foi observado o aumento da altura das plantas, em função principalmente da redução das galerias (furos), causadas pela broca nos colmos da planta, que impede a translocação de fotoassimilados (compostos resultantes da fotossíntese) pela planta e, consequentemente, aumenta o comprimento e o peso das panículas.



Híbrido mais resistente


Dois híbridos comerciais apresentaram redução na produção de grãos com o aumento do comprimento da galeria, enquanto o sorgo BRS 373 não apresentou correlação significativa, o que pode sugerir certo nível de tolerância ao ataque da broca-da-cana-de-açúcar.


O estudo foi pioneiro ao determinar o limiar de ganho e o nível de dano econômico causado pelo ataque dessa lagarta em híbridos de sorgo granífero. Essa informação é fundamental para os agricultores porque permite planejar melhor o cultivo, sabendo que é necessário tomar medida de controle se a infestação da praga atingir 3% de intensidade”, pontua Camila Souza.


Análise econômica


O nível de dano econômico é a menor densidade de insetos, ou de seus danos, que causam prejuízos econômicos. “Quando o custo do controle da praga é igual à perda de produtividade causada pela densidade populacional da broca-da-cana-de-açúcar. Os valores de mercado podem mudar ao longo do tempo de acordo com as condições econômicas atuais”, relata Souza.


Os cálculos foram baseados em dados médios dos últimos cinco anos. Para o valor de uma saca de 60 kg de grãos de sorgo, em dólares, o valor considerado foi US$ 8,62. E o custo médio de aplicação via solo por hectare, para controle da broca-da-cana-de-açúcar, US$ 25,90, levando-se em consideração o preço do inseticida comercial por hectare aplicado. Foram realizadas cotações nos principais revendedores para uma aplicação, conforme o Mercado Físico – Sorgo, em 2022.


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