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Pesquisa com casca de cacau cria biocombustíveis e gera renda

Tecnologia inédita reduz passivo ambiental de propriedades rurais e fortalece a agricultura familiar no Nordeste
05 jun 2026 às 15:45
Por: Band
Seagri/BA

Uma plataforma biotecnológica inédita de biorrefinaria desenvolvida no Brasil promete transformar a casca do cacau em biocombustíveis e enzimas industriais. A inovação utiliza processos simultâneos para quebrar a biomassa (hidrólise) e isolar fungos do próprio fruto que são produtores naturais de enzimas. O projeto é conduzido por pesquisadoras de Engenharia Química do Centro Universitário FEI, em São Paulo, em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o Senai Cimatec.


Financiada por uma chamada conjunta entre a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e a FAPESB (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia), a tecnologia foi validada a tempo de trazer discussões técnicas cruciais para o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado nesta sexta-feira (5 de junho). A casca do fruto representa cerca de 80% do peso total do cacau e hoje não tem destinação comercial em larga escala, acumulando-se nas propriedades rurais da Bahia. Esse acúmulo gera pragas agrícolas e emissão de gases de efeito estufa na decomposição.


Economia circular e redução de importações


Ao converter esse passivo ambiental em insumos de alto valor, a pesquisa ataca um gargalo econômico: o Brasil atualmente é importador dessas enzimas, que abastecem as indústrias farmacêutica, cosmética, têxtil e de alimentos. A professora da FEI Bruna Pratto destaca que a tecnologia fortalece a bioeconomia circular e abre as portas para que agricultores familiares baianos gerem renda extra com a venda da casca, que passa a ter valor comercial real.


O avanço atual é fruto de uma linha de pesquisa que completou uma década. O isolamento de microrganismos começou em 2016 com resíduos de mandioca, em um projeto liderado pela doutora Andreia Morandim-Giannetti e também financiado pela FAPESP. O conhecimento acumulado permitiu a transição para a cultura do cacau e já impulsiona um próximo passo: o uso de microalgas para sistemas integrados de biorrefinaria e captura de carbono, projeto que já está em fase de avaliação pela fundação paulista.


Agora, os esforços das cientistas se voltam para o mercado produtivo. As próximas etapas envolvem estudos avançados de modelagem e simulação para otimizar os processos de fermentação. O objetivo central do grupo é firmar parcerias com indústrias nacionais para realizar os testes de escala e viabilizar a aplicação comercial dos biocombustíveis e das enzimas criadas.

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