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Preço do feijão carioca dispara com falta de produto de qualidade no mercado

Transição entre safras e procura alta fazem o valor do grão subir; já o feijão preto segue com preços travados
27 abr 2026 às 08:34
Por: Cepea
Foto: Sebastião de Araújo/Embrapa

O preço do feijão carioca deu um salto expressivo na última semana, impulsionado por um momento de "vazio" entre o fim da primeira safra e o começo da segunda. De acordo com pesquisadores do Cepea, o mercado está operando com firmeza porque a oferta de grãos de qualidade superior está curta, enquanto a procura continua muito aquecida. Essa combinação de pouca mercadoria boa no estoque e muitos compradores querendo o produto fez as cotações subirem de forma disseminada em várias regiões produtoras.


Esse desequilíbrio acontece justamente na fase de transição das lavouras, onde o que resta da primeira safra nem sempre atende às exigências do mercado. Como o feijão de "nota dez" está raro, os lotes que chegam às mesas de negociação são disputados rapidamente, e os compradores têm mostrado boa aceitação nos novos valores, mesmo com as altas expressivas. No curto prazo, a tendência é que o mercado continue pressionado até que a entrada da nova safra consiga normalizar o abastecimento.


Por outro lado, quem lida com o feijão preto não viu a mesma animação nos negócios. Segundo o Centro de Pesquisas, a demanda por esse tipo de grão está inconsistente e não tem força para puxar os preços para cima. Mesmo em situações onde aparece menos feijão preto no mercado, a falta de interesse dos consumidores e das empresas acaba travando qualquer tentativa de reação nos valores, deixando o produto em um cenário de estabilidade ou até de lentidão nas vendas.


Para o produtor, o cenário atual exige estratégia na hora de fechar os contratos. Enquanto o carioca vive dias de glória com valorizações rápidas, o feijão preto exige mais paciência para não sair no prejuízo. A expectativa agora gira em torno do início efetivo da segunda safra, que deve trazer um fôlego novo para o mercado e, possivelmente, ajustar esses preços que hoje pesam mais no bolso de quem não abre mão do tradicional feijão com arroz.

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