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Preço do milho recua em Campinas com avanço da colheita de verão

Referência para o Indicador Esalq apresenta queda devido ao aumento da oferta do cereal no mercado spot na última semana
30 mar 2026 às 10:36
Por:
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Albari Rosa/AEN

Os preços do milho registraram uma trajetória de queda na região de Campinas (SP) ao longo da última semana de março de 2026. A localidade, que serve como principal referência para o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, foi impactada diretamente pelo avanço da colheita da safra de verão, que elevou a disponibilidade do cereal no chamado mercado spot. De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), esse aumento na oferta fez com que muitos compradores recuassem das negociações ou passassem a ofertar valores consideravelmente abaixo das pedidas iniciais dos vendedores.


Apesar do recuo observado no interior paulista, o cenário não foi uniforme em todo o território nacional. Em diversas outras praças produtoras, as cotações do milho sustentaram movimentos de alta, impulsionadas pela postura cautelosa dos agricultores. Esse comportamento é justificado pelas incertezas em relação aos custos de frete e logística, o que leva muitos produtores a reterem o grão à espera de margens mais favoráveis. Essa disparidade regional reflete a complexidade do momento atual, onde a pressão da colheita local colide com as variáveis de transporte interestadual.


No cenário internacional, o desempenho brasileiro segue robusto e apresenta números superiores aos do ano passado. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) revelam que, nos primeiros 15 dias úteis de março, o Brasil embarcou 784,2 mil toneladas de milho para o exterior. O volume é expressivo, representando cerca de 90% de tudo o que foi exportado no mês de março de 2025. O ritmo diário de exportação atual é 14% superior ao verificado há um ano, consolidando a forte demanda externa pelo produto nacional neste encerramento de trimestre.


Analistas do setor apontam que a manutenção desse ritmo acelerado nos embarques pode servir de suporte para os preços no médio prazo, equilibrando a pressão interna gerada pela entrada da nova safra. A atenção dos operadores do mercado agora se volta para o fechamento dos dados mensais e para a evolução das condições climáticas, que ditarão o ritmo final da colheita nas principais frentes produtoras. O equilíbrio entre a oferta interna abundante e a fluidez das exportações será determinante para a formação de preços nas próximas semanas de abril.

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