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Produtor vende o litro de leite por R$ 2, mas gasta R$ 2,23 para produzir

Setor leiteiro no Brasil passa por uma das piores crises da sua história; preço do leite no campo tem queda de 25,8% em um ano
29 jan 2026 às 19:02
Por: Band
O setor leiteiro nacional passa por uma das piores crises já vividas: os produtores rurais realizaram, em quase todas as regiões brasileiras, grandes investimentos em suas propriedades rurais, para aumentar a capacidade e o clima, em 2024, também ajudou a manter pastagens fartas. O resultado foi uma oferta tão grande de leite que provocou a 8ª forte queda consecutiva nos preços. Para os consumidores finais, porém, nada mudou. 

O preço do leite captado em dezembro do ano passado, mais uma vez, registrou queda de preços e a média não chega a R$ 2 por litro. Ou seja, o produtor rural que vive da atividade recebeu, em média, R$ 2 por litro vendido aos laticínios. Segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada),a redução de 5,78% em relação a novembro. No entanto, o Custo de Produção de Leite (calculado pelo ICPLeite/Embrapa) registrou uma alta de aproximadamente 3% no ano, devido à alta de preços dos concentrados (ração), milho e energia elétrica. A média nacional de custo de produção, foi de R$ 2,23 por litro.

O problema é que o preço veio caindo mês a mês durante todo o ano e os produtores viram o preço cair 25,8% em 2025. A média anual de preços ficou em R$ 2,5617 por litro, valor 6,8% inferior ao registrado no ano anterior, refletindo um mercado pressionado pelo excesso de oferta. Para os consumidores finais, porém, o preço do leite não baixou.


O principal fator para os recuos sucessivos no campo é o elevado volume de estoques de derivados lácteos nas indústriasAo longo de 2025, a oferta de leite aumentou consideravelmente devido aos investimentos feitos em 2024 e ao clima favorável, que beneficiou as pastagens. Embora o Índice de Captação de Leite (ICAP-L) tenha apresentado uma leve retração de 0,41% entre novembro e dezembro, o saldo do ano foi de um crescimento de 15,4% na produção. Esse volume excedente, somado às importações, manteve o mercado saturado.


As importações, inclusive, desempenharam um papel crucial na manutenção dos estoques elevados. Em 2025, o Brasil adquiriu 2,21 bilhões de litros em equivalente leite do exterior. O volume é apenas 5,9% menor que o recorde histórico de 2024, mantendo a pressão sobre os preços domésticos.

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Margem do produtor e o impacto do milho

A situação financeira das propriedades rurais tornou-se mais delicada. Enquanto o preço de venda do leite despencou, os custos de produção permaneceram estáveis, o que resultou em um estreitamento das margens de lucro. O Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 0,57% na média nacional.


Para o pecuarista de leite, um dos maiores desafios atuais é o poder de compra em relação aos insumos. O milho, base da ração animal, valorizou-se e dificultou a conversão. Em dezembro, o produtor precisou de 34,87 litros de leite para comprar uma saca de 60 kg de milho.


Esse índice de troca é 9,04% superior ao de novembro e está 21,7% acima da média dos últimos 12 meses. Na prática, o pecuarista está gastando muito mais leite para alimentar o rebanho, o que compromete a viabilidade da atividade no curto prazo.

Queda nos derivados e consumo

A pressão chega também às gôndolas e nas negociações entre laticínios e canais de distribuição. De acordo com o levantamento do Cepea em parceria com a OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), os principais derivados registraram baixas em dezembro.


O leite UHT (caixinha) teve a queda mais expressiva, recuando 6,67% em termos reais. O queijo muçarela e o leite em pó também apresentaram variações negativas de 1,38% e 0,79%, respectivamente. Esse cenário indica que, apesar dos preços menores para o consumidor, a cadeia produtiva enfrenta dificuldades para equilibrar a balança entre oferta e demanda.


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