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Safra 2026 de noz-pecã projeta recuperação no Brasil

Produção de noz-pecã deve chegar a 7 mil t em 2026
11 fev 2026 às 18:11
Por: Agrolink - Seane Lennon
Foto: Pixabay

A produção brasileira de noz-pecã na safra 2026 deve alcançar entre 6,5 mil e 7 mil toneladas, em recuperação em relação aos últimos ciclos, impulsionada pela elevada carga de frutos nos pomares e pela entrada de novas áreas em produção. A avaliação é do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan), que projeta volume superior ao de 2025, impactado pelos efeitos das enchentes registradas em 2024.


O presidente do IBPecan, Claiton Wallauer, afirmou que a produção se aproxima do patamar de 2023, em torno de 7 mil toneladas, com possibilidade de superar esse nível. Segundo ele, mesmo com uma safra maior em 2026, a combinação entre demanda externa e abertura de novos mercados pode sustentar preços próximos aos do ciclo anterior, sobretudo para lotes de melhor qualidade.


De acordo com Wallauer, o cenário internacional tem ampliado as perspectivas do setor. “Nos últimos três anos, empresas e novos investidores passaram a observar com mais atenção as possibilidades de exportação, porque o preço de referência, que é o da noz norte-americana, está em um patamar interessante. Estados Unidos e México não conseguiram formar estoques de passagem relevantes, o que mantém o mercado mais aquecido”, disse o presidente do IBPecan.


Ainda segundo Wallauer, a ampliação dos canais de exportação tende a reduzir a volatilidade do mercado interno, mesmo em um ambiente de maior oferta. “Com novos canais de exportação, existe uma tendência de que o preço não sofra quedas acentuadas, como ocorreu em outros momentos de safra cheia. Isso funciona como um mecanismo de proteção para produtores e investidores”, afirmou.


O coordenador técnico do IBPecan, Jaceguáy Barros, destacou que o ciclo ocorre em um contexto climático atípico, com volumes de chuva acima da média histórica desde a primavera do ano passado. Em dezembro, o acumulado médio de precipitação chegou a 240 milímetros, enquanto janeiro registrou 236 milímetros. A combinação de alta umidade e temperaturas elevadas tem ampliado a incidência de problemas fitossanitários nos pomares, com registros de doenças e queda de frutos.

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Barros informou que já há ocorrência de antracnose em algumas áreas. “Essas chuvas com temperaturas elevadas têm causado uma pressão muito grande no caso das doenças, e nos últimos dias observamos pomares com problemas de antracnose, com queda de fruta”, afirmou. Ele também apontou desafios operacionais relacionados à pulverização fitossanitária. “O crescimento do porte das árvores exige equipamentos mais potentes para garantir cobertura adequada, e ainda existem limitações tanto nos planos fitossanitários quanto nos equipamentos disponíveis para alcançar pomares mais desenvolvidos”, disse.


Após um início de fevereiro com baixos volumes de chuva, a previsão indica a entrada de uma frente fria nos próximos dias, com novos acumulados elevados. Para março e abril, a tendência é de manutenção de volumes acima da média, com chuvas irregulares e temperaturas próximas ou ligeiramente acima da média histórica. Nesse cenário, o manejo da irrigação demanda atenção contínua. “Quando as chuvas ficam entre 25 e 30 milímetros, o produtor pode suspender a irrigação por um ou dois dias, mas precisa retomar rapidamente para que o enchimento dos frutos ocorra de forma adequada”, afirmou Barros.


Outro ponto de atenção é a disponibilidade de mão de obra para a colheita, etapa decisiva para a qualidade do produto. O coordenador técnico do IBPecan ressaltou a necessidade de agilidade na operação. “É fundamental que a colheita seja realizada rapidamente, evitando que os frutos permaneçam no solo, o que exige mão de obra e equipamentos adequados”, disse.


Apesar das preocupações fitossanitárias, Barros avaliou que o desempenho produtivo dos pomares tem sido positivo nesta safra, com carga elevada de frutos em grande parte das áreas. “A entrada de novos pomares em fase produtiva reforça a expectativa de crescimento da oferta nacional”, afirmou.

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