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UFU identifica milhos mais produtivos para alimentação animal

Estudo desenvolvido por aluna e professor do curso de Zootecnia aponta quais materiais apresentam melhor rendimento e qualidade nutricional para a pecuária
24 fev 2026 às 15:47
Por: Ana Laura Santos - UFU
Arquivo Pessoal

Produzir alimento de qualidade para o rebanho é um dos principais desafios da pecuária, especialmente durante a entressafra, quando há redução das pastagens. Pensando nisso, pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) avaliaram o desempenho de quatro híbridos comerciais de milho destinados à produção de silagem na região de Uberlândia. 


A pesquisa foi desenvolvida pelos irmãos Daniela Segatto Borges, estudante do curso de Zootecnia, e Gustavo Segatto Borges, docente de Agrostologia e Forragicultura. O trabalho analisou quatro materiais de ciclo precoce, que são plantas que completam seu desenvolvimento em menos tempo, permitindo maior flexibilidade no planejamento da lavoura. 


Os nomes são combinações de letras e números. Três deles podem ser utilizados tanto para a produção de grãos quanto para a alimentação animal (P3565PWU, P4285VYHR e P3707VYH), enquanto um (P3858PWU) é voltado exclusivamente para grãos.


Esses materiais são conhecidos como híbridos, resultado do cruzamento planejado entre plantas com características desejáveis, como maior produtividade e resistência. Ao avaliar o desempenho genético, ou seja, o conjunto de características herdadas que influenciam o crescimento e a produção, os pesquisadores buscaram identificar quais opções oferecem melhor resposta nas condições da região. No caso da silagem, o objetivo é produzir grande quantidade de forragem (termo utilizado para designar o alimento vegetal oferecido aos animais). 


A silagem é obtida quando o milho é colhido ainda verde, picado e armazenado em ambiente fechado, onde ocorre fermentação natural. Esse processo conserva o alimento por meses e é amplamente utilizado na alimentação de bovinos de leite e de corte.

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Entre os materiais avaliados, o híbrido P4285VYHR apresentou a maior produção de massa verde (44.700 kg por hectare) e massa seca (16.092 kg por hectare), além da maior altura de plantas. O P3565PWU também demonstrou alto desempenho produtivo, com 33.000 kg de massa verde por hectare. 


Segundo os pesquisadores, esses dois materiais se destacaram no rendimento de forragem por área, fator importante para diluir custos fixos da produção. “Quando conseguimos produzir mais alimentos na mesma área, aumentamos a eficiência da propriedade”, explica o docente. “Isso impacta diretamente no custo final da alimentação do rebanho”.


Além da quantidade produzida, o estudo também analisou a composição nutricional da silagem, por meio de avaliações bromatológicas, termo técnico utilizado para descrever a análise de nutrientes presentes no alimento.


O híbrido P3707VYH apresentou o maior teor de proteína bruta (8,95% na matéria seca), nutriente essencial para a dieta dos animais. Já híbridos de dupla aptidão P3565PWU, P3707VYH e P4285VYHR registraram valores de fibra em detergente ácido (FDA) abaixo de 30%, considerados adequados para boa digestibilidade. O P3858PWU, destinado à produção de grãos, apresentou valor mais elevado. 


Um dos resultados considerados relevantes foi que os materiais mais produtivos também mantiveram níveis nutricionais adequados. “Os híbridos com maior rendimento não perderam qualidade básica da forragem, o que é fundamental para o produtor”, destaca a aluna.


O experimento foi realizado na safra de 2022/2023, com colheita aos 90 dias após a emergência das plantas, no estágio de grão pastoso e farináceo, fase considerada ideal para ensilagem, quando há equilíbrio entre teor de umidade e concentração de nutrientes.


A pesquisa não contou com financiamento externo e foi desenvolvida no âmbito acadêmico da UFU. Para os autores, o estudo contribui com dados adaptados às condições de solo e clima da região. 

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