Dois dos quatro adolescentes suspeitos de matar o cão Orelha chegaram ao Brasil hoje, após uma viagem aos Estados Unidos, informou a Polícia Civil de Santa Catarina.
Polícia cumpriu mandados de busca e apreensão de telefones celulares de dois dos quatro adolescentes suspeitos. A informação foi divulgada pelo delegado Ulisses Gabriel. Segundo ele, a ação foi coordenada pela Delegacia Especializada de Adolescentes em Conflito com a Lei e Delegacia de Proteção Animal da Capital, com apoio da Delegacia de Proteção ao Turista/Aeroporto e da Polícia Militar catarinense.
Delegado informou que monitoramento conjunto da Polícia Civil com a Polícia Federal identificou antecipação do voo de chegada ao Brasil. Os menores investigados estavam em uma excursão programada para a Disney com outras pessoas 113 pessoas.
Os adolescentes já foram intimados e deverão ser ouvidos nos próximos dias. A Polícia Civil solicitou a emissão de laudo de corpo de delito do cão Orelha.
A viagem já estava programada antes do ocorrido, segundo a polícia. A reportagem não conseguiu contato com a defesa deles até o momento. O espaço está aberto para manifestações.
O cachorro, que era comunitário, sofreu agressões na Praia Brava, em Florianópolis. Por causa dos ferimentos, o animal precisou ser sacrificado.
A Vara da Infância e Juventude de Florianópolis determinou que redes sociais removam fotos, vídeos e postagens que identifiquem os investigados. A decisão vale para plataformas como Instagram, Facebook, WhatsApp e TikTok, que têm 24 horas para retirar o conteúdo do ar. Segundo a lei, é proibida a divulgação de qualquer dado que permita identificar menores de idade em investigação, mesmo quando há grande comoção pública.
Quatro adolescentes foram identificados pelas investigações como suspeitos do ato infracional de maus-tratos ao cão Orelha. A Polícia Civil de Santa Catarina, que investiga a morte do animal desde o dia 16 de janeiro, também identificou três adultos, familiares do jovens, suspeitos de envolvimento em ações de coação de testemunhas.
Caso o envolvimento dos adolescentes com o caso seja comprovado, eles receberão medidas socioeducativas ou responderão por ato infracional. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina, as punições previstas em lei vão de advertências, serviços à comunidade e liberdade assistida até, em casos excepcionais, internações.
Cão Orelha foi encontrado agonizando por uma moradora da Praia Brava após receber pauladas na cabeça. Ele vivia há 10 anos no local com outros animais de rua, que eram alimentados e cuidados pela comunidade.
A agressão ao cão comunitário não é o único ato infracional pelo qual os adolescentes são investigados, segundo a polícia. Outro cachorro de rua teria sido agredido pelos suspeitos, que teriam tentado afogá-lo.
Eles também são investigados por outras ações análogas a injúria contra trabalhadores da área. "Tem outros atos infracionais de ofensas a profissionais como porteiros, rondas e pessoas que trabalham na região. Teve situações envolvendo furtos e depredações de patrimônios. São vários atos conexos", afirmou a delegada Mardjoli Adorian Valcareggi, em coletiva de imprensa anteontem.