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Médico vira réu por abuso de 15 vítimas; pena pode passar de 200 anos

Ministério Público afirma que crimes teriam ocorrido entre 2017 e 2025 em clínica particular
08 mai 2026 às 18:28
Por: UOL
Investigação aponta que o médico teria praticado atos libidinosos durante consultas
Imagem: Divulgação / Polícia Civil de GO


O ginecologista Marcelo Arantes e Silva virou réu por estupro de vulnerável contra 15 pacientes em Senador Canedo (GO). Ele foi preso no mês passado e nega as acusações.


As denúncias foram oferecidas pela 5ª Promotoria de Justiça de Senador Canedo e já foram aceitas pela Justiça. O Ministério Público afirma que os crimes teriam ocorrido entre 2017 e 2025, em uma clínica particular onde ele atuava.


A investigação aponta que o médico teria praticado atos libidinosos durante consultas e exames ginecológicos contra 15 pessoas. De acordo com a promotoria, ele tocava partes íntimas das pacientes “fora do procedimento técnico, com a intenção de satisfazer desejo sexual”.


O UOL busca a defesa do médico. O espaço segue aberto para manifestação.


Os casos foram apurados pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Senador Canedo. O Ministério Público afirma que, após a repercussão do caso nas últimas semanas, outras mulheres passaram a procurar a polícia, o que pode levar à abertura de novos inquéritos.

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O réu está preso preventivamente e os processos seguem em segredo de Justiça. O MP pediu indenização mínima por danos morais às 15 vítimas e afirma que as penas podem passar de 200 anos. Na ocasião de sua prisão, a defesa do médico afirmou que ele é inocente e que está colaborando com a Justiça.

Busca e apreensão de prontuários

O órgão cumpriu mandado de busca e apreensão de prontuários médicos na clínica investigada anteontem. A medida, segundo a Promotoria, ocorreu porque os documentos haviam sido requisitados pela polícia durante o inquérito e não foram entregues dentro do prazo.


Os prontuários devem servir como parte do conjunto de provas reunidas na investigação. O MP não detalhou o conteúdo dos documentos e informou que o caso tramita em segredo de Justiça.


Autoridades constataram comportamento de "predador sexual" conforme vítimas foram aparecendo. "Ele aproveitava o momento de vulnerabilidade das vítimas, de mulheres que passam por procedimentos ginecológicos e ficam fisicamente e emocionalmente expostas", disse a delegada Gabriela Moura, da Deam de Senador Canedo, em abril.


O registro médico do homem foi suspenso por ordem judicial. A informação foi confirmada ao UOL pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás, que acrescentou ainda que as denúncias relacionadas à conduta dos profissionais são apuradas internamente também em sigilo.


Polícia considera "grande potencial de reincidência". Investigadora aponta que a suspensão, no entanto, não seria suficiente para garantir que ele não iria praticar crimes novamente, diante do perfil "predatório e repetitivo".

Quem é o ginecologista

O médico atuava na área de reprodução. "É especializado na realização dos mais avançados procedimentos para o tratamento da infertilidade por meio de técnicas de fertilização assistida", diz seu site profissional.


Arantes é formado pela Universidade Federal de Goiás. Ainda conforme as próprias descrições, ele fez residência médica na mesma instituição da graduação e sua pós na Faculdade de Medicina de Jundiaí (SP).

O que diz a lei

O crime de estupro está previsto no artigo 213 do Código Penal. A pena inicial varia de seis a dez anos de prisão, podendo chegar a 12 anos em caso de lesão corporal e a 30 anos em caso de morte.


A legislação também prevê punição para a divulgação de cena de estupro, prevista no artigo 218-C do Código Penal, com pena de um a cinco anos de reclusão.


Como denunciar


Em casos de flagrante, a orientação é ligar para 190, da Polícia Militar.


Também é possível fazer denúncias pelo telefone 180, que funciona 24 horas por dia em todo o país e no exterior.


O serviço oferece orientação especializada e encaminhamento para serviços de proteção e atendimento psicológico. Também há atendimento pelo WhatsApp (61) 99656-5008.


Vítimas de estupro podem procurar qualquer hospital com atendimento de ginecologia e obstetrícia para receber medicação preventiva contra infecções sexualmente transmissíveis, atendimento psicológico e, nos casos previstos em lei, realizar interrupção legal da gestação.


Não é necessário registrar boletim de ocorrência para receber atendimento médico e psicológico no sistema público de saúde. No entanto, o exame de corpo de delito depende do registro policial.


Esse exame pode ser realizado posteriormente, mas é recomendado que seja feito o mais próximo possível do momento da violência, para preservar provas.


*Com informações da Agência Estadão

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