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Mensagens mostram que Tenente-Coronel humilhava a esposa PM: "Fêmea beta"

Os diálogos mostram um comportamento narcisista por parte do Tenente-Coronel, que se autointitulava "soberano" e "macho alfa"
19 mar 2026 às 08:50
Por: Band
Foto: Reprodução/ Band

Novas evidências do caso Gisele Santana, a soldado morta pelo marido, o Tenente-Coronel Geraldo Neto, trazem à tona um relacionamento marcado por abusos psicológicos e machismo extremo. Mensagens extraídas dos celulares do casal revelam como o oficial da PM tentava subjugar a esposa, tratando-a como "inferior" e exigindo submissão total.


O programa Brasil Urgente teve acesso exclusivo ao conteúdo das conversas que agora fazem parte do inquérito policial. Os diálogos mostram um comportamento narcisista por parte do Tenente-Coronel, que se autointitulava "soberano" e "macho alfa".


Em uma das mensagens enviadas em 6 de fevereiro deste ano, apenas 12 dias antes do crime, o Tenente-Coronel Geraldo Neto escreveu uma lista de "qualidades" sobre si mesmo, em um tom que especialistas apontam como abusivo e controlador:


"Sou mais que um príncipe, Sou Rei, Religioso, Honesto, Trabalhador, Inteligente, Saudável, Bonito, Gostoso, Carinhoso, Romântico, Provedor, Soberano."

Segundo a reportagem, esse tipo de abordagem servia para colocar Gisele em uma posição de inferioridade constante, reforçando a ideia de que ela deveria ser grata por estar com alguém "tão superior".

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A teoria do "Macho Alfa" e a "Fêmea Beta" submissa


O nível de humilhação escala em mensagens enviadas dois dias antes da morte de Gisele. O oficial da PM utilizava termos de teor pseudocientífico e machista para definir os papéis dentro do casamento:


"Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa — Com amor, carinho, atenção e autoridade de Macho Alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser."

Em outra interação, Neto reforçava o controle financeiro como ferramenta de opressão, listando gastos com aluguel, condomínio e contas de luz para exigir que Gisele investisse "amor, carinho, atenção, dedicação e sexo".


Gisele reagiu às humilhações: "Não vou trocar sexo por moradia"


Apesar da pressão psicológica, as mensagens mostram que a soldado Gisele Santana não aceitava passivamente os abusos. Em resposta às exigências do marido, ela foi enfática ao pedir a separação:

"Por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final!"

Quatro dias depois, Gisele também relatou uma agressão física via WhatsApp, evidenciando que o ciclo de violência já havia escalado: "Você não me respeita; não sabe conversar; ontem enfiou a mão na minha cara".


Investigação e Prisão Preventiva


A Polícia Civil, através do 8º Distrito Policial, acredita que o crime não foi premeditado, mas cometido sob "forte emoção" após o desgaste irreversível da relação. No entanto, o histórico de mensagens comprova um ambiente de violência doméstica prolongada.


O Tenente-Coronel Geraldo Neto teve sua prisão preventiva decretada pela Justiça Militar e foi detido na manhã desta quarta-feira (18). O laudo pericial indica que Gisele foi imobilizada antes de ser baleada na cabeça, o que complica a defesa do oficial.

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