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Novo tratamento reduz em 83% avanço de câncer raro

Imunoterapia TEC-DARA inovadora traz qualidade de vida e abre debate sobre cura do mieloma múltiplo.
24 jul 2026 às 12:24
Por: Band
Magnific

O diagnóstico de mieloma múltiplo — um tipo de câncer de sangue que atinge as células plasmáticas na medula óssea — costuma vir acompanhado de grande impacto para os pacientes. Sem cura definitiva, a condição afeta a produção de células de defesa saudáveis e provoca sintomas como dores intensas nos ossos, fraturas espontâneas, fraqueza contínua e problemas renais.


Esses foram os sinais percebidos por Nícia Dalfre, de 67 anos, que fraturou uma vértebra enquanto andava de bicicleta, e Mônica Deganello, de 58 anos, que conviveu anos com anemia crônica até descobrir a causa subjacente. A trajetória das duas tomou um novo rumo ao aceitarem participar dos ensaios clínicos do TEC-DARA, um tratamento imunoterápico inovador.


A terapia consiste na combinação dos medicamentos Teclistamabe e Daratumumabe, desenvolvidos pela farmacêutica Johnson & Johnson. Diferente da quimioterapia tradicional — que atinge as células do corpo de forma ampla —, o TEC-DARA atua como um direcionador de precisão: conecta-se simultaneamente à célula cancerígena e ao linfócito T (célula de defesa do paciente), guiando o sistema imune para atacar e destruir o tumor.


Estudos clínicos apontam que o protocolo, aprovado pela Anvisa para pacientes que tiveram a primeira recaída da doença, reduz em 83% o risco de progressão da enfermidade ou morte.


Qualidade de vida e salto na sobrevida


Segundo a médica hematologista Vania Hungria, uma das referências nacionais no estudo e combate ao mieloma múltiplo, a resposta ao TEC-DARA no cenário científico não tem precedentes para quadros de recaída. Enquanto tratamentos antigos garantiam uma sobrevida média de cinco anos, as novas abordagens permitem que a sobrevida chegue a 17 anos.

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O resultado prático reflete no cotidiano dos pacientes. Mônica Deganello está em remissão completa há quatro anos e, durante o processo, decidiu ingressar em uma nova graduação e se formar em Direito, mantendo uma rotina ativa com exercícios e rotina de trabalho. Nícia Dalfre precisou pausar o ciclismo, mas adaptou sua rotina com pilates e fisioterapia, mantendo vida normal e autonomia.


"No ano que vem, se atualizarmos esses dados, verão que a grande maioria dos pacientes que permanecem em remissão continuará sem recair. Falamos hoje em cura funcional: o paciente atinge uma resposta tão profunda e duradoura que vive com alta qualidade por muitos anos e acaba morrendo de velhice ou de outra causa não relacionada ao câncer", destaca a médica Vania Hungria.


Gargalo no acesso ao SUS


Apesar dos avanços e da agilidade de aprovação regulatória no país, o acesso à imunoterapia ainda é um gargalo no sistema público. De acordo com a especialista, os protocolos iniciais oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o mieloma múltiplo ainda se baseiam em diretrizes antigas, e a incorporação de novos fármacos avança de forma lenta na rede pública. Para contornar a limitação estrutural, centros de pesquisa têm incluído pacientes do SUS em ensaios e estudos clínicos avançados.

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