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“Ou soma ou suma”, diz Cláudio Castro em recado ao governo federal após megaoperação no Rio

O governador do Rio afirmou que não aceitará “politicagem” e pede união para enfrentar o crime organizado
29 out 2025 às 15:16
Por: Band

Um dia após a megaoperação policial que deixou ao menos 132 nos Complexos do Alemão e da Penha, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), voltou a se pronunciar nesta terça-feira (29) e fez um duro discurso em defesa da ação das forças de segurança do estado. Durante entrevista coletiva, Castro enviou um recado direto ao governo federal e a outras autoridades:


A declaração aconteceu enquanto Castro dizia que não recebeu qualquer apoio do governo federal para a realização da megaoperação, considerada uma das mais violentas da história do Rio


Segundo Castro, a ação foi resultado de um ano de investigação e 60 dias de planejamento, com participação do Ministério Público.

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“Não aceitaremos transformar tragédia em palanque”


Castro afirmou que não entrará em “batalhas políticas” com o governo federal ou com qualquer autoridade que tente usar o episódio para disputas ideológicas. “Nem eu, nem nenhum secretário vamos responder a provocações. Esse é o momento de união, não de polarização”, declarou.


Ele também agradeceu o apoio de outros governadores e destacou que recebeu mensagens de solidariedade de outros governadores de direita de várias regiões do país, incluindo São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul, Pará e o Distrito Federal.


“Todos eles entendem que resolver o problema do Rio é essencial para resolver o problema da criminalidade no Brasil”, disse.

Ajuda do governo federal

Em meio à tensão política, Castro cobrou do governo federal “foco no Rio de Janeiro” e apoio técnico e financeiro no combate ao crime organizado. Ele confirmou ter conversado com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e solicitado dez vagas em presídios federais para transferir lideranças criminosas que continuam comandando ações de dentro das cadeias estaduais.


Segundo o governador, a prioridade deve ser a integração entre os entes federativos, e não o envio de tropas de forma improvisada. “Toda ajuda é bem-vinda, mas precisa ser técnica, planejada e baseada na necessidade real, não na vontade de fazer política”, disse.


Castro negou ter pedido Garantia da Lei e da Ordem (GLO) — instrumento que permite o uso das Forças Armadas em ações de segurança pública. “Não cabe a mim definir o instrumento jurídico que o governo federal vai usar para ajudar. Meu papel é pedir apoio, não dar ordens”, afirmou.


Conflito no número de mortos

De acordo com balanço preliminar apresentado por Castro, a operação resultou em 58 mortos, sendo 54 suspeitos e 4 policiais. O governador afirmou que os confrontos ocorreram em áreas de mata, fora das regiões habitadas, o que, segundo ele, reduz a possibilidade de vítimas civis.


“Não houve conflito em área edificada. Se, por acaso, houve algum erro de classificação, será algo residual, que será corrigido. Mas todos os indícios apontam que eram criminosos”, declarou.


Castro lamentou as mortes dos policiais e afirmou que determinou apoio integral às famílias das vítimas. “Eles deram a vida para libertar a população. Foram as verdadeiras vítimas de ontem”, disse.

No entanto, o número conflita com o balanço divulgado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro de 64 mortos. Além disso, nesta manhã (29), 68 corpos foram levados do Alemão para a Penha, o que contabiliza 132 mortos no total da operação até o momento.


“O Rio de Janeiro não vecerá sozinho”


O governador reforçou que o estado “mostrou um duro golpe na criminalidade” e defendeu que o país todo precisa se engajar no enfrentamento ao crime organizado.


Ele também defendeu a transparência da operação e disse que todo o material apreendido será exposto à imprensa, inclusive o armamento utilizado pelos criminosos.


Castro encerrou a coletiva afirmando que “a vida na cidade está voltando ao normal” e que o episódio deve marcar o início de uma nova fase no enfrentamento à violência.

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