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Previsão aponta que El Niño pode ser o pior em 140 anos; entenda

O El Niño se caracteriza por um aumento de pelo menos 0,5ºC nas águas do Oceano Pacífico
14 abr 2026 às 09:44
Por: Band

Novas projeções climáticas indicam o aumento da possibilidade de formação de um super El Niño ainda este ano - um cenário que pode levar o planeta a registrar novos recordes de temperatura até 2027. Projeções do Centro Europeu de Previsão Meteorológica (ECMWF, na sigla em inglês) apontam o fenômeno como potencialmente tão intenso que pode se tornar o mais forte em 140 anos.


De acordo com o professor de ciências atmosféricas Paul Roundy, da Universidade Estadual de Nova York, em Albany, em entrevista ao jornal The Washington Post, existe um risco real para a formação do mais forte El Niño em mais de um século, por conta de um fenômeno excepcionalmente intenso entre o fim de 2026 e o início de 2027.


O El Niño se caracteriza por um aumento de pelo menos 0,5ºC nas águas do Oceano Pacífico. Diferentemente de um El Niño convencional, o chamado super El Niño está associado a um aquecimento superior a 2ºC, o que é suficiente para alterar os padrões climáticos de todo o globo e o regime de chuvas. O novo fenômeno pode quebrar o recorde do El Niño de 2015, quando a temperatura do Pacífico alcançou 2,8ºC acima da média.


Se o cenário se confirmar, os efeitos poderão ser sentidos em escala global. Entre os impactos previstos estão secas severas em partes da América Central, da África Central, da Austrália, da Indonésia e das Filipinas, além de chuvas torrenciais com risco de enchentes em países como Peru e Equador e em outras áreas próximas à Linha do Equador. No Brasil, o El Niño é marcado por eventos de seca no Nordeste e chuvas intensas no Sul - a exemplo do que aconteceu em 2024.


"O El Niño aumenta as chances de enchentes no Sul do Brasil porque costuma provocar chuva acima da média na região", explicou a climatologista Karina Lima. "Mas os eventos de El Niño (e La Niña) nunca são iguais e, além disso, o desastre de 2024 teve causa multifatorial, com uma conjuntura climática bastante complexa."

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As projeções também indicam aumento da frequência de ondas de calor em grandes áreas da América do Sul, do sul dos Estados Unidos, da África, da Europa, de partes do Oriente Médio e da Índia. Em paralelo, a atividade de ciclones e tufões no Pacífico pode crescer, enquanto o Atlântico tende a registrar redução na atividade de furacões.


Outro efeito relevante é o impacto sobre a temperatura média global. Eventos intensos de El Niño costumam liberar grande quantidade de calor do oceano para a atmosfera, o que favorece a elevação das temperaturas em escala planetária. Nesse contexto, 2027 surge como o ano com maior potencial para registrar novos recordes globais de calor.


As análises também apontam risco para a agricultura, em razão da mudança no regime de chuvas em diferentes continentes. Na Índia, por exemplo, uma possível redução das monções pode comprometer a produção agrícola. Já em outras regiões tropicais, a combinação entre calor extremo e seca pode agravar perdas no campo e aumentar a pressão sobre o abastecimento de água.


Apesar do sinal de alerta, ainda há incerteza sobre a intensidade final do fenômeno. Os próprios especialistas ressaltam que não existem dois eventos de El Niño exatamente iguais, especialmente em um contexto de aquecimento global, o que exige cautela na interpretação das projeções.


Além disso, o aquecimento global e o acúmulo de gases estufa na atmosfera vêm alterando os padrões do fenômeno.


"Por conta da crescente concentração de gases estufa, o sistema climático não consegue dissipar todo o calor lançado por um evento de El Niño antes que outro El Niño ocorra, aumentando a temperatura de novo", explicou o meteorologista do Departamento de Defesa dos EUA, Eric Webb, em entrevista ao The Washington Post.

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