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Projeto cria rede de apoio para mães de crianças neurodivergentes

Um dos efeitos colaterais mais dolorosos do diagnóstico é o isolamento social
22 mar 2026 às 12:20
Por: Band

A jornada de mães de pessoas neurodivergentes é o tema de uma reportagem especial do Jornal da Band, que destaca a importância do suporte emocional e prático para quem dedica a vida ao cuidado integral. 



O relato de Fernanda, fundadora do Instituto Colo de Mãe, ilustra uma realidade comum: a necessidade de adaptar a vida profissional e pessoal após o diagnóstico de autismo dos filhos. No caso de Fernanda, a descoberta foi tripla, já que ela e sua filha mais nova também estão no espectro.


O diagnóstico de autismo frequentemente impõe mudanças drásticas. Fernanda precisou deixar o emprego presencial para trabalhar em casa, enfrentando o esgotamento de ser cuidadora em tempo integral. "Eles dependem de mim o tempo todo, incansavelmente", relata a fundadora, que ressalta o caráter automático, porém exaustivo, dessa função.


O combate ao isolamento e a união de forças


Um dos efeitos colaterais mais dolorosos do diagnóstico é o isolamento social. Fernanda descreve como amigos e conhecidos se afastam gradualmente, deixando de fazer convites para eventos e encontros. Para combater essa solidão, surgiu o projeto Colo de Mãe, uma associação que reúne mulheres como Tatiane, Evanete e Elaine, que compartilham o desafio de interromper sonhos pessoais para priorizar o desenvolvimento dos filhos.

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O projeto atua em frentes fundamentais para as famílias:

  • Orientação jurídica: Auxílio no conhecimento e acesso aos direitos legais da pessoa com autismo.
  • Acesso a terapias: Oferta de tratamentos multidisciplinares com valores acessíveis.

  • Rede de acolhimento: Espaço de convivência onde as mães podem compartilhar experiências e apoio mútuo.

Cuidar de quem cuida como prioridade


A dedicação exclusiva muitas vezes resulta na negligência do autocuidado das mães. Elaine Cristina Henrique, cuidadora da filha Alícia, de 7 anos, admite a dificuldade de encontrar tempo para si mesma, ressaltando que sua saúde emocional está intrinsecamente ligada ao progresso da filha. "Ela estando melhor, eu também fico melhor", afirma.


Para as integrantes do Instituto, a união representa o "complemento" necessário para enfrentar a exaustão. A iniciativa transforma a dor do isolamento em uma força coletiva, servindo como a rede de proteção que muitas não tiveram no momento do diagnóstico inicial. A luta dessas mulheres vai além das terapias; é uma busca por dignidade, visibilidade e pela construção de um futuro onde seus filhos possam conquistar autonomia.

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