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Promotoria de SP indicia organizadora e instrutores por morte em rope jump

Caso a Justiça acate a denúncia, os quatro se tornarão réus em processo de homicídio
09 jul 2026 às 09:26
Por: Band
Foto: Reprodução

O Ministério Público de São Paulo denunciou quatro pessoas pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump em Limeira, no interior paulista. Agora, a Justiça decidirá se acata a denúncia, o que tornaria réus a organizadora do evento e os três instrutores que auxiliavam a jovem no salto.


Junto à denúncia, a Promotoria pediu à Justiça para que fixe em R$ 200 mil a reparação pelos danos causados. Os quatro denunciados estão presos desde o mês passado. O acidente aconteceu em 13 de junho, na Ponte do Esqueleto, quando Maria Eduarda foi arremessada de uma altura de 40 metros sem as cordas necessárias.


A organizadora do evento de rope jump, Evelyne dos Santos Gonçalves, de 43 anos, responsável pela Entre Cordas (empresa sem registro), foi denunciada por homicídio com dolo eventual --quando não há intenção, mas se assume o risco de mata--, qualificado por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.


Segundo o Ministério Público, a acusação de homicídio acontece na modalidade de omissão imprópria, já que Evelyne seria a garantidora da segurança dos participantes e deixou de agir para evitar a morte. Ela também foi acusada pelo crime de fraude processual por tentar eliminar prova relevante para a investigação.


Segundo a denúncia, os acusados promoviam saltos de rope jump para cerca de 80 a 100 pessoas por dia de evento sem que houvesse estrutura formal de gerenciamento de riscos e sem observar protocolos básicos de segurança.

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Os promotores sustentam que os responsáveis pela execução do salto tinham pleno conhecimento dos riscos da atividade, mas deixaram de adotar cautelas necessárias, como a conferência da conexão da corda de segurança e a realizaçãoda dupla checagem dos equipamentos.


O salto de Maria Eduarda


Maria Eduarda foi submetida à modalidade conhecida como "aviãozinho", na qual os instrutores erguem a praticante e a projetam da estrutura. Para o MP, os acusados lançaram a jovem sem a corda de segurança conectada ao seu peitoral, fazendo com que ela caísse de 40 metros de altura e morresse em decorrência de politraumatismo.


A denúncia também aponta que o grupo de rope jump funcionava sem definição clara de funções, explorava comercialmente a atividade sem atender às exigências legais e priorizava interesses econômicos e a divulgação de saltos nas redes sociais em detrimento da segurança. Conforme a acusação, Evelyne deixou de interromper a atividade mesmo após ter ocorrido uma falha operacional semelhante anteriormente.

A inobservância técnica somava-se à irregularidade formal da própria atividade. Os denunciados exploravam comercialmente o rope jump sem inscrição no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur) do Ministério do Turismo, sem contratação de seguro de responsabilidade civil e sem a elaboração de termos de conhecimento, de responsabilidade e de ciência de risco a serem firmados pelos participantes, exigências já vigentes à época dos fato. --promotores

Sumiço de câmera

A investigação, dividida em dois inquéritos, não conseguiu localizar a câmera Go Pro, que estava fixada ao braço da vítima. Mesmo assim, a organizadora do evento foi denunciada por determinar a localização do equipamento e a exclusão do conteúdo, com o objetivo de dificultar a elucidação dos fatos.

De acordo com o inquérito, uma testemunha afirmou que Evelyne "mencionou expressamente" a necessidade de apagar o vídeo do salto da jovem. O relatório final da Polícia Civil apontou que ao menos três testemunhas relataram que um homem retirou a câmera da vítima. Porém, nenhuma conseguiu reconhecê-lo.

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