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Adoção tardia transforma histórias e reforça que o amor não tem idade em Cascavel

Mesmo com mais pretendentes do que crianças aptas à adoção no Brasil, idade ainda é principal desafio; histórias locais mostram mudança de mentalidade
26 jun 2026 às 12:40
Por: Portal Tarobá

No Brasil, o número de famílias interessadas em adotar é significativamente maior do que o de crianças e adolescentes aptos à adoção. Ainda assim, na prática, o processo nem sempre avança com a rapidez esperada, e um dos principais fatores que influenciam essa lentidão é a preferência por idade.


A maioria dos pretendentes ainda busca bebês ou crianças pequenas, o que acaba deixando adolescentes e crianças mais velhas em situação de espera prolongada. Em Cascavel, no Oeste do Paraná, histórias de adoção tardia têm ajudado a mudar essa realidade e a desconstruir preconceitos sobre o perfil ideal de uma família.


Na cidade, o Grupo de Apoio à Adoção de Cascavel (GAAC) realiza encontros mensais no anfiteatro da sala de catequese da Catedral. As reuniões acontecem sempre na última quinta-feira de cada mês e são abertas a todos que desejam ingressar na fila de adoção.


Os encontros têm como foco a troca de experiências e o esclarecimento de dúvidas, especialmente sobre a adoção tardia, considerada um dos principais desafios do sistema. Em 2025, foram registradas 50 adoções na comarca de Cascavel, a maioria envolvendo crianças acima dos cinco anos.


Um dos casos que exemplifica essa mudança de mentalidade é o de Rafael e sua esposa, que iniciaram o processo de adoção no final de 2020. O primeiro passo foi buscar orientação na Vara da Infância e da Juventude de Cascavel, onde foram encaminhados ao GAAC.

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Com apoio psicológico e jurídico, o casal iniciou o processo para se habilitar no Sistema Nacional de Adoção (SNA). Em 2022, foram inseridos oficialmente no sistema e, em 2023, conseguiram formar a família que tanto desejavam, adotando duas irmãs, hoje com 10 e 7 anos.


Rafael, que hoje preside o GAAC, afirma que a participação nos encontros foi essencial para desconstruir o receio inicial em relação à adoção tardia. Segundo ele, a experiência de outras famílias ajuda novos pretendentes a compreender melhor o processo. Ele também explica que a participação em pelo menos três reuniões é um dos requisitos para habilitação.


O Sistema Nacional de Adoção cruza dados entre crianças e pretendentes dentro das comarcas, podendo ampliar a busca para outras regiões do estado e do país. Em 2025, a comarca de Cascavel registrou 50 adoções, enquanto em 2026, até o mês de maio, já foram contabilizadas 10.


No cenário nacional, o SNA aponta mais de 6,1 mil crianças e adolescentes aptos à adoção, contra mais de 33 mil pretendentes cadastrados. Ainda assim, o descompasso persiste devido ao critério etário, que continua sendo um dos principais obstáculos.


Na comarca de Cascavel, há atualmente 42 famílias pretendentes e 36 crianças e adolescentes aguardando um lar, além de outros 130 casos em situação indefinida. O processo é acompanhado por equipes técnicas do Serviço de Atendimento à Infância (SAI), que atuam para preparar tanto os pretendentes quanto as crianças para a nova convivência.


O juiz responsável pela Vara da Infância e Juventude destaca que o sistema de adoção é estruturado para buscar o melhor encaixe entre perfis, ampliando as possibilidades dentro e fora do estado. Ele também reforça a importância do trabalho técnico e do acompanhamento psicológico no processo.


O curso de habilitação para novos pretendentes está previsto para o segundo semestre. Segundo a equipe técnica, a adoção é um processo de ressignificação, que envolve tanto crianças quanto famílias.


Em Cascavel, a adoção tardia vem ganhando espaço e mostrando que o vínculo familiar não depende da idade, mas da construção de vínculos afetivos ao longo do tempo.

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