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Avião da Voepass que caiu em SP não poderia ter decolado, conclui Cenipa

Aeronave decolou com falhas em dez sistemas e deveria operar com restrições; problema no limpador de para-brisas impedia voo em dias chuvosos
23 jul 2026 às 21:44
Por: Band
Reprodução

O avião da Voepass que caiu em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, não poderia ter decolado de Cascavel (PR) no horário em que o voo foi realizado por causa de uma falha no sistema do limpador de para-brisa. A conclusão consta no relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), apresentado nesta quinta-feira (23).


Segundo o investigador encarregado pelo caso, tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, a aeronave PS-VPB possuía dez itens com falhas antes da decolagem para Guarulhos (SP). Esses problemas são previstos na Lista de Equipamentos Mínimos (do inglês MEL - minimum equipment list), um documento que estabelece em quais condições uma aeronave pode continuar operando com determinados equipamentos inoperantes.

No caso, um dos problemas descobertos pelo Cenipa foi no limpador de para-brisa.

De acordo com Fróes, as restrições previstas para esse tipo de falha impediam que a aeronave operasse caso tivesse previsão de chuva no horário da decolagem.

O militar explicou que, conforme as regras aplicáveis à operação da aeronave, o avião não poderia decolar se houvesse previsão de chuva entre uma hora antes e uma hora depois do horário previsto para a partida.


A mesma restrição também se aplicava ao horário estimado de pouso no destino e ao aeroporto alternativo.

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Cenipa aponta fragilidades na manutenção da frota

Segundo a investigação, entrevistas com mecânicos revelaram que panes identificadas durante os voos eram, em alguns casos, comunicadas apenas de forma verbal, sem o devido registro no diário de bordo da aeronave. O procedimento contrariava as práticas previstas pelo fabricante e comprometia o acompanhamento das falhas pelo setor de manutenção da empresa.

Os investigadores verificaram que problemas registrados nos voos que antecederam o acidente, como falhas no sistema de degelo, deixaram de ser anotados oficialmente pelas tripulações, mesmo após a ocorrência de alertas em voo. Sem esses registros, a manutenção não era formalmente acionada para avaliar a pane e definir as correções previstas nos manuais.


"A cultura era não reportar falhas para que as aeronaves pudessem voar", disse o Tenente-Coronel Aviador Paulo Mendes Fróes, chefe da Seção de Investigação do CENIPA

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