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Caso de professora em Londrina acende alerta sobre ciclo de violência doméstica

Enquanto investigação apura morte de homem de 39 anos, Conselho da Mulher reforça a importância de denunciar agressores e buscar medidas protetivas na rede municipal.
13 abr 2026 às 13:11
Por: Portal Tarobá

Uma professora de Londrina responderá em liberdade após esfaquear e matar o companheiro, Maicon Danilo Argman, 39, no último dia 10 de abril. A decisão judicial ocorre enquanto a investigação busca esclarecer se a mulher agiu em legítima defesa durante uma briga de casal dentro do apartamento onde viviam. Segundo a defesa, a mulher não possui antecedentes criminais, tem emprego e residência fixa, além de ter prestado socorro à vítima.


Imagens de câmeras de segurança do edifício registraram o início da discussão no corredor. O vídeo mostra o momento em que Argman empurra a mulher antes de ambos entrarem na unidade. Cerca de uma hora depois, a professora saiu do apartamento para pedir ajuda a um vizinho. De acordo com a advogada Cláudia Piccin, a cliente ligou duas vezes para o 190 e buscou o síndico para socorrer Maicon, que foi atingido no abdômen e morreu no local.


A defesa apresentou ao processo fotos de lesões no rosto da professora e vídeos que registrariam comportamentos agressivos do companheiro. "A Fernanda tem uma cicatriz no canto da boca, que é decorrente de uma agressão do sr. Maicon", afirmou a advogada. A defesa localizou ainda uma ação penal contra a vítima em Ibiporã por um caso semelhante. "Desde o início, isso demonstra que não houve intenção por parte da Fernanda de praticar qualquer fato, principalmente praticar esse homicídio", alegou a defesa.


O episódio reflete um cenário de violência doméstica recorrente na região. Na mesma semana, um homem de 53 anos foi esfaqueado pela esposa em outra briga, mas sobreviveu. Em 2024, um caso similar resultou na absolvição de Thais Matias Teixeira, que matou o ex-namorado com uma facada no peito após alegar violência doméstica. No Brasil, o feminicídio atingiu a marca de 1.568 registros em 2025, evidenciando as raízes culturais do problema.


Especialistas alertam que o ciclo da violência é difícil de ser rompido e que mulheres levam, em média, dez anos para denunciar o agressor. Sueli Galhardi, presidente do Conselho Municipal dos Direitos das Mulheres, reforça a necessidade de buscar a rede de proteção de Londrina antes que os conflitos escalem para tragédias. "É fundamental que as mulheres busquem medida protetiva, mas para ela ter acesso a essa justiça, ela tem que procurar o serviço, o serviço que vai informar como que chega até o juizado, como que faz a denúncia, que direitos ela tem", orienta Galhardi.

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