A CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) trabalha atualmente na manutenção e busca por lares para cerca de 340 animais que permanecem sob sua guarda em Londrina. O grupo é composto por cães e gatos remanescentes da ONG ADA, que passou a ser gerida pela autarquia em maio do ano passado por determinação judicial. Entre os animais disponíveis, grande parte é composta por animais idosos, com deficiências ou doenças crônicas, o que aumenta o desafio para a adoção.
Desde que assumiu a responsabilidade, a CMTU registrou a adoção de quase 100 animais. No mesmo período, cerca de 60 mortes foram contabilizadas, baixas atribuídas principalmente à idade avançada e ao estado de saúde fragilizado de muitos exemplares herdados da antiga sede.
Infraestrutura e sigilo judicial
Há quase nove meses, a companhia precisou transferir toda a estrutura para um novo espaço. O local passa por constantes adequações, uma vez que a infraestrutura original não estava preparada para abrigar o contingente inicial de mais de 500 animais.
Por determinação da Justiça, o endereço exato para onde os animais foram levados não pode ser divulgado, e as filmagens no local estão proibidas. A medida visa garantir a segurança dos animais e evitar abandonos na porta da nova unidade ou interferências no processo de reestruturação.
Déficit financeiro na manutenção
A manutenção do abrigo representa um desafio financeiro para o município. Atualmente, os gastos mensais ultrapassam os R$ 60 mil, valor que cobre alimentação, medicamentos e cuidados gerais. No entanto, a CMTU conta com um repasse fixo de R$ 40 mil mensais, proveniente de um acordo com o Conselho Municipal do Meio Ambiente.
Para suprir o déficit de R$ 20 mil mensais, a autarquia recorre a fontes complementares, como recursos oriundos de TACs (Termos de Ajustamento de Conduta) firmados junto ao Ministério Público.
Estratégia para 2026: feiras de adoção
Com uma equipe de oito profissionais dedicados exclusivamente ao cuidado direto dos bichos, a CMTU foca agora na realização de feiras de adoção ao longo de 2026. O objetivo é garantir bem-estar e um lar definitivo para os cães e gatos e, simultaneamente, reduzir o número de animais abrigados.
A diminuição do plantel é vista como essencial para o equilíbrio das contas públicas, permitindo a redução gradual dos custos com manutenção, ração e insumos médicos, sem comprometer a qualidade do atendimento aos animais que ainda aguardam por um dono.