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"Ele subiu em cima de mim três vezes", diz vítima do padre em Cascavel

O homem relata que a situação o perturbou por muito tempo, e que também carregou por anos um forte sentimento de culpa
26 ago 2025 às 15:22
Por: Portal Tarobá

Denunciar abusos é um ato de coragem, mas, para as vítimas, falar sobre o assunto é uma dor intensa. No caso do padre preso em Cascavel, uma das vítimas decidiu se manifestar com exclusividade à Tarobá, sem se identificar, e contou momentos traumáticos vividos durante os abusos.


Segundo a vítima, o primeiro contato com o abusador foi quando ele ainda era seminarista, durante uma visita à cidade de Guaraniaçu. Eles estavam na casa de uma família, onde foram colocados para dormir no mesmo quarto. Foi nesse momento que os assédios começaram.


O depoente relata que o padre colocou, por quatro vezes, as mãos em sua genitália, e que só parou quando a vítima reagiu de forma agressiva, afirmando que ele teria problemas caso fizesse aquilo novamente.

A vítima também revela que, em uma conversa após os abusos, o padre foi irônico e debochado:“Ele subiu em cima de mim três vezes, e eu pedi pra ele sair”, conta. E complementa: “Me perguntou se eu tinha ficado 'grávido'.”


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O relato ainda menciona a chegada de Dom Mauro a Cascavel, junto com o padre suspeito dos abusos — na época, ainda seminarista. A vítima afirma que acreditava estar sob a proteção do Arcebispo.


Segundo ela, o Arcebispo teria solicitado que fosse entregue uma carta, afirmando que "tudo estava resolvido" após os atos de abuso sexual.


O homem relata que a situação o perturbou por muito tempo, e que também carregou por anos um forte sentimento de culpa.


A vítima ainda cita que o padre realizava sessões de hipnose, o que ele considerava estranho.

“Se você deixa a pessoa hipnotizada numa situação dessa, você pode fazer o que quiser com ela, aí eu entendo porque naquela noite quando eu despertei eu estava meio conturbado”, disse.


Segundo depoimento, o homem afirmou que não sabe dizer se outros seminaristas também foram vítimas, mas destacou que, por se tratar de um teólogo com posição de autoridade, é possível que ele tenha se aproveitado da hierarquia e da confiança que a função lhe proporcionava.


Ele também ressaltou que, apesar da gravidade da situação, acredita que a Igreja possui mecanismos internos de investigação e leva as denúncias adiante, reforçando sua confiança no processo institucional.


A vítima ainda pontuou que o sentimento predominante em relação ao agressor é de asco e nojo, evidenciando o impacto emocional profundo do abuso sofrido.


Apesar do trauma, a vítima declarou que perdoa o agressor, mas acredita que ele precisa passar por penitência.

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