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Homem acusado injustamente por crime em Jataizinho processará o Estado

Reginaldo Aparecido dos Santos, o "Javali", ficou 43 dias preso e foi linchado pela população após ser apontado como suspeito de matar avó e neta.
24 abr 2026 às 20:12
Por: Portal Tarobá
Tarobá

Após viver um pesadelo que incluiu linchamento, agressões e uma prisão de 43 dias, Reginaldo Aparecido dos Santos, de 43 anos, decidiu buscar reparação na Justiça. Conhecido como "Javali", ele foi apontado injustamente como o autor do duplo homicídio de Marley Gomes de Almeida e Ana Carolina Almeida, ocorrido em março de 2025.


 A defesa de Reginaldo confirmou que entrará com uma ação contra o Estado do Paraná, alegando falhas graves na condução do caso por parte das forças de segurança pública, violência policial e negligência médica durante o período em que esteve na cadeia.


A suspeita sobre Reginaldo surgiu após a circulação de vídeos de câmeras de segurança que o mostravam caminhando pelo bairro. Antes de qualquer investigação oficial da PCPR (Polícia Civil do Paraná), ele foi alvo de um violento ataque popular que resultou em um maxilar quebrado e traumatismo craniano. Mesmo sem evidências diretas, ele teve a prisão temporária decretada e renovada. Sua liberdade só foi concedida em maio, quando as autoridades admitiram que o vídeo não era prova suficiente e que o suspeito sequer tinha capacidade física para deixar as mensagens encontradas na cena do crime.


Além da prisão indevida, os advogados de defesa apontam que a Polícia Penal foi negligente ao não fornecer os medicamentos de uso contínuo que Reginaldo precisava para tratar uma cirrose hepática, o que piorou severamente sua saúde. O caso teve uma reviravolta definitiva após a prisão do verdadeiro autor, que confessou o crime. Para a defesa, o Estado falhou duplamente: não protegeu o cidadão da fúria da população e o manteve encarcerado sem indícios reais de culpa, ignorando seu estado clínico debilitado.


Agora, o processo busca indenização por danos morais, físicos e pela falta de assistência à saúde no sistema prisional. O caso levanta um debate profundo sobre o perigo dos linchamentos virtuais e reais e a responsabilidade das instituições em garantir a segurança jurídica de pessoas em situação de vulnerabilidade. Enquanto Reginaldo tenta reconstruir sua vida e tratar as sequelas das agressões, o processo judicial contra o governo estadual segue como uma tentativa de punir os erros cometidos durante a investigação.

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