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Máquinas caça-níqueis adaptadas para fins educativos são apresentadas na UEL

A partir dos equipamentos apreendidos, pesquisadores desenvolveram totens que funcionarão como leitores de livros e serão encaminhados a hospitais e penitenciárias.
29 out 2024 às 15:59
Por: Assessoria de Imprensa
Agência UEL

Professores e estudantes de três centros de estudos da UEL entregaram nesta sexta-feira (25) o resultado de um projeto acadêmico que tem o objetivo de reaproveitar máquinas de jogos de azar (caça-níqueis) apreendidas pela polícia para fins educativos. A partir dos equipamentos apreendidos, pesquisadores desenvolveram totens que funcionarão como leitores de livros e serão encaminhados a hospitais e penitenciárias. O grupo também desenvolveu um jogo direcionado a crianças com diabetes. 


A entrega oficial dos equipamentos, nesta sexta, contou com a presença da reitora, Marta Favaro, do diretor do Centro de Ciências Exatas (CCE), Alan Salvany Felinto, do chefe da Casa Militar, Tenente-Coronel Marcos Tordoro, do juiz do 12º Juizado Especial Criminal de Londrina, Eduardo Matni, e do Coordenador Regional do Departamento de Polícia Penal (DEPPEN/PR), Elcio Martins Basdão, além de professores e alunos. 


O projeto de aproveitamento das máquinas apreendidas teve início há cerca de dois anos e envolveu professores e estudantes dos cursos de Engenharia Elétrica (CTU) e da Computação (CCE), juntamente com docentes do curso de Design Gráfico (CECA) da UEL. O objetivo foi promover benefícios à sociedade por meio do desenvolvimento de estudos e pesquisas com os equipamentos, usados de forma ilegal e frequentemente apreendidos em estabelecimentos comerciais.


Para a reitora, Marta Favaro, projetos como este representam a expressão máxima de um exercício de integração acadêmica, “onde há a aproximação de diferentes áreas do conhecimento na busca pela obtenção de benefícios para a sociedade”, mencionou a professora.


No comando da 4ª Companhia da Polícia Militar do Paraná na época em que as máquinas foram apreendidas, o Tenente-Coronel Marcos Tordoro teve grande influência no desenvolvimento parceria, ratificada também pelo juiz Eduardo Matni. “Ficamos muito felizes com tudo isso porque esse projeto foi sonhado lá atrás, sabíamos das dificuldades, mas pessoas do bem nos ouviram e toparam a ideia. Nos reunimos no quartel, universidade, Ministério Público, PMPR, e isso é resultado daquele trabalho”, lembrou.  

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Resultados 

De acordo com o vice-diretor do CCE, professor Silvano Cesar da Costa, as máquinas em princípio foram reaproveitadas e transformadas em dois subprodutos distintos. Nesta sexta-feira, foram entregues cinco protótipos que deverão ser utilizados em unidades do Depen de Londrina. 


Estas máquinas, complementa o professor Wesley Attrot (Departamento de Computação), receberam versões de 30 livros de domínio público indicados pelo setor de pedagogia do DEPEN, e deverão facilitar o acesso à literatura tendo em vista que esta é uma das atividades educacionais consideradas para o cálculo de remição da pena. 


Outra finalidade para as máquinas encontrada pelos pesquisadores foi como interface para a implantação do Gamellito, jogo virtual desenvolvido para crianças de 6 a 12 anos que sofrem com Diabetes. O jogo tem como personagem principal o Gamelitto, que é de outro planeta e vem pedir ajuda às crianças da Terra para tentar descobrir qual seu problema de saúde. O game foi desenvolvido pela psicóloga da UEL, Vânia Vargas, durante seu doutorado. A professora participou da apresentação do totem, juntamente com a estudante do 3º ano do curso de Computação Isadora Vanço, à época, bolsista de Iniciação Científica (IC) do projeto. 


O totem do jogo Gamellito será instalado no Ambulatório de Especialidades do HU, no Campus da UEL, para testes e posteriormente será transferido para o HU, na zona leste. Além do totem, feito com máquina caça-níquel, serão entregues outros quatro notebooks doados pela Delegacia da Receita Federal de Londrina, nos quais foram implantados o game direcionados aos pacientes mirins de Diabetes e todos os equipamentos contarão com manual de instruções para facilitar a ativação da funções previstas. 


Empregabilidade 


Logo após terem sido recebidas na UEL, há dois anos, as máquinas foram desmontadas e tiveram suas peças e sistemas – hardware – avaliadas e catalogadas, explicou o vice-diretor do Centro de Tecnologia e Urbanismo, o professor do Departamento de Engenharia Elétrica, José Fernando Mangili Júnior. “Fiação, botoeiras, fontes de energia, cabos, tudo foi catalogado”, diz. 


Este processo de triagem das peças envolveu a aplicação de conhecimentos da área de Engenharia Elétrica e permitiu o desenvolvimento de estudos, resultando, ainda, na elaboração de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). 


Outro aspecto interessante, destacou o professor, é que estes equipamentos podem ser utilizados como campo de aprendizagem para pessoas privadas ou não de liberdade que desejam adquirir competências requisitadas pela indústria eletroeletrônica, em meio ao processo de ressocialização. “É possível atuar em quatro frentes muito utilizadas na indústria, que é a partida de motor direto, partida com parada e reversão de sentido e velocidade, partida estrela-triângulo e partida com contagem de tempo para o desligamento. Então, se o indivíduo sai capacitado nisso ele já pode ser certificado como um eletricista de funções básicas, ele tem uma nova profissão”, explica.  


Visual


A apresentação dos protótipos também contou com a presença da professora Rosane Fonseca de Freitas Martins, do Departamento de Design Gráfico, orientadora do projeto de Iniciação Científica que resultou no projeto gráfico. Trazendo elementos da fauna e da flora encontrados no Campus Universitário, as ilustrações e grafismos homenageiam as belezas naturais que chamam a atenção de quem transita pela Universidade Estadual de Londrina.


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