A Praça do Migrante, um dos cartões postais de Cascavel, já foi um local frequentado por famílias, rodeado pela natureza e com uma grande fonte d'água. Porém, a realidade hoje é bem diferente. O espaço de lazer foi dominado pelo tráfico de drogas, com o comércio de entorpecentes ocorrendo até mesmo em plena luz do dia. O aumento da criminalidade na região tem gerado preocupação e dificultado a rotina dos moradores.
A caminhada matinal, antes tranquila, se tornou um verdadeiro desafio para quem passava pela praça. Albertinho Fernandes, morador da região, precisou alterar sua rota para continuar com sua atividade física com segurança, agora tendo que andar mais para chegar à pista de caminhada da Avenida Brasil.
A poucos metros da praça, a Igreja Santo Antônio também enfrenta problemas semelhantes. Para evitar furtos, roubos e invasões, até grades foram instaladas no local, o que ajudou a reduzir os crimes, mas não impediu a presença de usuários de drogas.
No Terminal Oeste, a sensação de insegurança é a mesma. Em uma breve passagem pela área, a equipe da Tarobá flagrou uma pessoa em situação de rua entrando no terminal sem pagar, uma cena comum por ali. Para as mulheres, o risco tem sido ainda maior, especialmente à noite, já que a ausência de guardas municipais deixa o espaço vulnerável à criminalidade.
A rodoviária da cidade também não escapa dessa situação. Os tapumes da obra em andamento estão sendo usados como dormitório por pessoas em situação de rua, o que tem causado um acúmulo de lixo pelo chão.
O jornalismo da Tarobá tem acompanhado, desde o ano passado, as reclamações sobre o aumento de pessoas em situação de rua, usuários de drogas e traficantes no centro de Cascavel. Comerciantes chegaram a fechar suas portas com medo da violência.
Em diversos pontos da cidade, é possível ver a grande quantidade de andarilhos. Um deles, morador de Santa Catarina, chegou a Cascavel em busca de uma vida melhor, mas acabou indo parar nas ruas. Ele não quis se identificar, mas aceitou conversar com nossa equipe e relatou que agora busca ajuda para sair dessa situação.
Ele fala: "Não estou na rua por opção, estou na rua porque minha vida desmoronou. Tive empresa, já tive família, mas simplesmente perdi tudo. A minha mulher gostava muito de bebida e eu não gosto de bebida. Aí, quando me separei, veio a depressão e eu me joguei. Eu quero tentar recuperar, só que a discriminação social está grande, muita gente olha para a gente como se fôssemos lixo, mas morador de rua não é lixo."
Após vários pedidos de socorro dos moradores e comerciantes, o poder público finalmente reconheceu o problema, que já se tornou crônico. A partir das 14h30 de hoje, diversas secretarias, com o apoio da Guarda Municipal, realizarão uma ação de abordagem social em pontos específicos da cidade. O objetivo é oferecer ajuda para que as pessoas abandonem as ruas e o vício, além de combater a criminalidade, que se encontra visível e crescente.
O Secretário da Secretaria Especializada na Cidadania, Proteção à Mulher e Políticas sobre Drogas, Marcelo Silva, afirmou que a ação visa combater a criminalidade e oferecer uma chance de recuperação aos que necessitam. No entanto, os moradores pedem por ações contínuas para garantir que todos possam exercer com segurança o direito de ir e vir a qualquer hora do dia ou da noite