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MIT REAP Paraná lança Instituto dia 18 em Londrina

Programa contratado junto ao MIT será apresentado à sociedade civil em sua sede, a Lake House
12 ago 2026 às 17:57
Por: Assessoria de Imprensa

O MIT REAP Paraná será apresentado oficialmente à sociedade civil no próximo dia 18 de agosto. O Regional Entrepreneurship Acceleration Program (REAP), ou Programa de Aceleração do Empreendedorismo Regional, é uma iniciativa do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), de Boston, nos Estados Unidos. 


Na ocasião também será lançado o Instituto de Desenvolvimento do Empreendedorismo Inovador (IDE), organização que deverá coordenar e dar continuidade às ações desenvolvidas pelo programa nos próximos anos. E ainda será inaugurada a Lake House, que funcionará como escritório do MIT REAP Paraná na Rua Otaviano Gonçalves Ferreira, 300, Colonial Londrina.

 

Empresas, entidades empresariais, universidades, representantes do poder público e organizações ligadas à inovação de diversas regiões do Paraná estão sendo convidados para participar do encontro, que pretende ampliar o engajamento da sociedade na iniciativa.

 

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O Paraná integra a 12ª coorte, denominação dada pelo MIT para cada turma formada por ele. Além do Paraná, também participam do grupo os países Benim e Bulgária, o estado mexicano de Yucatán, a região de Kano-Jigawa, na Nigéria, e o cantão de Zurique, na Suíça.

 

Com duração de 24 meses, o programa representa um investimento de US$ 425 mil, financiado integralmente pela iniciativa privada paranaense, sem utilização de recursos públicos. O valor se refere à contratação do MIT. Estima-se, no entanto, que o custo total do programa nos próximos anos chegue a um milhão de dólares.

 

Os três fundadores e investidores do MIT REAP Paraná são empresários com trajetória consolidada no desenvolvimento de negócios no Norte do Paraná. Mario Marcondes é fundador da Conasa Infraestrutura, empresa com sede em Londrina que atua em concessões e investimentos nos setores de saneamento, energia, iluminação pública e rodovias, com presença em oito estados brasileiros.

 

Fernando Massi é fundador da OrthoDontic, rede de clínicas de ortodontia criada em Londrina em 2002 e atualmente a maior rede de franquias de ortodontia do Brasil, com mais de 350 unidades. Alfons Gardemann é controlador da PADO, tradicional indústria de cadeados, fechaduras e ferragens instalada em Cambé. Em 1997 adquiriu o controle da empresa e transferiu seu parque fabril para o Norte do Paraná.

 

“Precisamos trazer um pouco do que existe lá fora para cá. As universidades brasileiras não preparam o aluno para o mundo real. É muita teoria e pouca prática para enfrentar a realidade quando sai da universidade e vai empreender”, avalia Mario Marcondes.

 

O presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Fabrício Bianchi, que representa a Prefeitura no programa, conta que os integrantes do MIT REAP Paraná já participaram de dois workshops presenciais na sede do MIT, em Boston e que, em janeiro de 2027, irão ao terceiro encontro na Bulgária. O último será em julho, no MIT, quando haverá a formatura da turma.

 

De acordo com ele, embora o projeto tenha abrangência estadual, sua liderança está concentrada, neste momento, em Londrina — em articulação com o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial. “O projeto está sendo liderado por uma equipe praticamente 100% de Londrina, com o horizonte de olhar Londrina como uma forma de modelar o projeto MIT REAP, que é um programa focado em desenvolvimento regional por meio do empreendedorismo baseado em inovação”, afirma.

 

Diagnóstico antes das soluções

Diferentemente de programas tradicionais de incentivo ao empreendedorismo, o MIT REAP começa com um amplo diagnóstico do ecossistema regional de inovação. A metodologia reúne representantes de cinco grupos — as chamadas hélices —, considerados fundamentais para o desenvolvimento econômico: governo, universidades, empresas, investidores e empreendedores.

 

Nos primeiros meses da iniciativa, a equipe concentrou-se no mapeamento do ecossistema de inovação do Norte do Paraná. O trabalho evoluiu para uma visão mais abrangente, passando a contemplar todo o Estado. “De novembro até junho aconteceu uma série de entrevistas, diagnósticos e o entendimento do ecossistema de inovação do Norte do Paraná, que acabou levando a um olhar para o Paraná como um todo”, explica Bianchi.

 

A batalha que precisa ser vencida

Após o diagnóstico, a metodologia do MIT prevê a definição da chamada Must Win Battle (MWB) — expressão em inglês que pode ser traduzida como “Batalha que Precisa Ser Vencida”. Trata-se da identificação do principal desafio que impede o avanço do ecossistema regional. No caso do Paraná, esse desafio começa a ganhar contornos bastante claros. “De forma geral, o desafio que está sendo definido é transformar em negócio aquilo que é produzido nas Instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação”, afirma Bianchi.

 

O MWB definido pela turma do Paraná é “aumentar a quantidade de empreendimentos de base tecnológica e científica que escalam econômica e tecnologicamente no Paraná, orientados por resultados mensuráveis”. A partir da definição desse desafio central, o programa passa para a fase de elaboração das intervenções — ações públicas e privadas destinadas a superar os gargalos identificados.

 

Segundo Bianchi, uma das razões para o envolvimento de Londrina no programa é a convergência entre a metodologia do MIT REAP e o plano de industrialização que vem sendo desenvolvido para o município em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). A proposta é utilizar a metodologia internacional para fortalecer setores considerados estratégicos, como tecnologia da informação, eletrometalmecânico, novos materiais, healthtech e agronegócio. “Não existe retrabalho. As duas iniciativas caminham na mesma direção e se complementam”, afirma.

 

Terceiro caso brasileiro

O Paraná é o terceiro participante brasileiro do MIT REAP. A primeira experiência ocorreu com o Rio de Janeiro, integrante da 8ª coorte, que reuniu Petrobras, governo, prefeitura, universidades e empresas em torno de uma estratégia voltada para energia e sustentabilidade. Na sequência, o Piauí participou da 9ª coorte, concentrando seus esforços na área de saúde digital.

 

Agora, o desafio paranaense é construir uma estratégia própria para transformar conhecimento científico em inovação, ampliar o empreendedorismo de base tecnológica e fortalecer o desenvolvimento econômico regional.

 

Para Bianchi, o objetivo é que o modelo desenvolvido inicialmente em Londrina possa servir de referência para outras regiões do Estado. “A ideia é posicionar esse projeto, engajar o ecossistema de inovação do Paraná e criar uma estrutura que permaneça depois do encerramento do programa do MIT.”

 

Uma ponte entre pesquisa e mercado

Para Lucas Ferreira Lima, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), o Paraná já possui uma base científica e acadêmica robusta. O desafio está em criar mecanismos capazes de aproximar esse conhecimento das necessidades do setor produtivo e do capital. “O Norte do Paraná já possui um ecossistema científico e acadêmico extremamente robusto, com pesquisas de altíssimo nível sendo desenvolvidas nas nossas universidades e centros de tecnologia. O grande ganho que o MIT REAP pode nos fornecer é a metodologia necessária para estruturar uma ponte definitiva entre a pesquisa e o mercado”, afirma.

 

Segundo Lima, essa aproximação pode acelerar a transferência tecnológica e fazer com que o conhecimento produzido nas universidades se transforme em soluções, novos negócios e empregos. “O programa vem para acelerar a transferência tecnológica, garantindo que o conhecimento gerado na academia se transforme em soluções práticas, novos empreendimentos de base científica e empregos de alto valor agregado”, diz.

 

Para o diretor do Codel, a conexão entre academia, setor produtivo e capital de risco também pode contribuir para ampliar a escala das empresas inovadoras, reter talentos e aumentar a competitividade do Estado. “Quando a gente consegue conectar o conhecimento acadêmico com as dores reais do setor produtivo e do capital de risco, todo o ecossistema ganha em escala, retenção de talentos e competitividade nacional”, afirma.

 

Experiência da UEL

A Universidade Estadual de Londrina (UEL) também participa do programa com a experiência acumulada na transformação de pesquisas em tecnologias e novos negócios. É o que destaca o professor Admilton Gonçalves de Oliveira Junior, diretor da Agência de Inovação Tecnológica da UEL (Aintec) e representante da universidade no MIT REAP Paraná.

 

Biólogo e doutor em Microbiologia, Admilton desenvolveu ao longo da carreira tecnologias licenciadas para empresas, participou da criação de startups originadas na universidade e coordenou projetos que geram royalties para a instituição. Para ele, o conhecimento produzido nas universidades precisa chegar ao mercado para gerar impacto econômico e social. “Isso já acontece, mas pode acontecer muito mais e de forma mais eficiente”, afirma.

 

Admilton considera importante que a metodologia do MIT seja utilizada para fortalecer, e não substituir, as iniciativas que já atuam no ecossistema regional de inovação. Ele cita universidades, Sebrae, Estação 43, Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e outras organizações que já trabalham na área. “O programa deve atuar em conjunto com tudo o que já vem sendo construído na região”, afirma.

 

Segundo o professor, a aproximação precisa ocorrer nos dois sentidos: as universidades devem estar mais preparadas para dialogar com o mercado, enquanto as empresas precisam ampliar a disposição para desenvolver projetos em parceria com a academia. “O papel das universidades é estar mais preparado para dialogar com o mercado. E o mercado também precisa estar mais aberto para desenvolver projetos em parceria com a academia”, afirma.

 

As agências de inovação das universidades têm, nesse processo, a função de facilitar licenciamentos de tecnologias, projetos cooperativos, criação de startups e transferência de conhecimento.

Para Admilton, o resultado dependerá da capacidade de todos os atores trabalharem de forma coordenada. “No final, ninguém deve esperar que o outro resolva o problema. Todos precisam trabalhar juntos para promover o desenvolvimento da região”, afirma.

 

Apresentação MIT REAP Paraná

Data: 18 de agosto

Horário: 8 horas

Local: Lake House – Rua Otaviano Gonçalves Ferreira, 300 – Colonial, Londrina

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