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Operação Noite Fria registra alta ocupação em Londrina

Abrigo masculino atingiu 92,3% de lotação entre os dias 10 e 30 de junho; ação é ativada quando termômetros marcam menos de 10 graus.
16 jul 2026 às 14:42
Por: Portal Tarobá

A Operação Noite Fria é acionada em Londrina sempre que a previsão do tempo aponta para temperaturas inferiores a 10 graus. O principal objetivo da iniciativa é encaminhar pessoas em situação de rua para os serviços de acolhimento institucional do município, reduzindo a exposição extrema ao clima de inverno.


Conforme o balanço divulgado, entre os dias 10 e 30 de junho, o abrigo masculino registrou 1.163 acolhimentos para pernoite. O volume representa uma média de 55 pessoas atendidas por noite, o que equivale a uma taxa de ocupação de 92,3% das 60 vagas disponíveis na unidade.


Os outros serviços da rede municipal apresentaram os seguintes índices de ocupação no mesmo período:



A taxa de mortalidade entre a população em situação de rua no Brasil é 348% maior do que a registrada entre a população geral. O inverno desempenha um papel crítico nesse indicador nacional: estima-se que cerca de seis mil pessoas que vivem nas ruas morram anualmente em decorrência das baixas temperaturas.


Mortes suspeitas em Londrina e resistência aos abrigos


O perigo do frio extremo reflete-se em ocorrências locais recentes. Em Londrina, duas pessoas em situação de rua morreram há pouco tempo sob a suspeita de que as baixas temperaturas tenham contribuído para os óbitos. No final do mês passado, um homem foi encontrado sem vida na Avenida Duque de Caxias. Sete dias antes dessa ocorrência, outro óbito foi registrado na Rua Maranhão, na região central da cidade.


Apesar dos riscos, parte desse público demonstra resistência em ir para os abrigos públicos. É o caso de Dirceu Aparecido de Lima, de 57 anos, que vive nas ruas há cinco anos. Ex-morador do bairro União da Vitória, ele detalha os entraves logísticos que o fazem optar por permanecer ao relento.


Segundo o relato de Dirceu, a principal barreira para aceitar o acolhimento não é o medo de dormir na rua, mas sim a distância geográfica entre o abrigo e o local onde ele passa o dia. Os ônibus disponibilizados pela prefeitura realizam apenas o trajeto de ida até o abrigo. O retorno exige uma caminhada de aproximadamente 5 quilômetros, trajeto considerado inviável para quem apresenta limitações físicas de mobilidade.


Mesmo diante de casos de recusa, a Secretaria de Assistência Social avalia que a taxa de ocupação dos alojamentos é positiva. A premissa da pasta é direta: quanto maior o volume de cidadãos acolhidos durante os picos de frio, menor o risco de mortes decorrentes da exposição ao tempo adverso.

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