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Pais vão sepultar filha e descobrem que ossada da irmã sumiu

Família descobriu que restos mortais de bebê foram removidos clandestinamente; advogado Mauro Martins aponta que conduta configura destruição e subtração de cadáver
08 mai 2026 às 12:40
Por: Portal Tarobá

O pintor e funileiro Fábio Francisco de Oliveira denunciou a violação do túmulo da filha Vitória, que nasceu natimorta em 2020, e a falta de espaço para o sepultamento da irmã gêmea, Larissa, que faleceu aos quatro anos e oito meses em decorrência do vírus H1N1 e outras complicações. Ao chegar no cemitério para o velório da segunda criança, em luto, a família descobriu que o jazigo quitado estava ocupado por desconhecidos, e que os restos mortais de Vitória haviam sido removidos sem autorização.


O problema tornou-se evidente quando Fábio tentou organizar o enterro de Larissa no local onde a irmãzinha já estava enterrada. "Cheguei lá, reconheci o túmulo, mas tinha um casal no túmulo da minha filha", relatou o pai. Diante da ocupação irregular, os funcionários do cemitério alegaram necessidade de recadastramento e tentaram vender novos jazigos por valores que chegavam a R$ 16 mil, segundo o pai. Sem alternativas imediatas e sob forte estresse, Fábio pagou R$ 2,5 mil por uma nova sepultura para conseguir enterrar a segunda filha, após o caixão de Larissa não caber em uma cova menor oferecida inicialmente pela administração.


A busca pelos restos mortais de Vitória durou cinco dias de angústia para os pais. Fábio percorreu o cemitério até identificar a filha. "Eu reconheci pelo vestidinho dela, tudo certinho. Estava só o pó e o crâniozinho da minha filha lá dentro. O vestidinho branco que eu tinha enterrado", relembrou. Para o pai, a remoção clandestina e a venda do espaço configuram um desprezo à memória das crianças. Ele suspeita que o túmulo original pode ter sido comercializado para terceiros de forma deliberada.


O sepultamento de Larissa também foi marcado por falhas operacionais que estenderam o sofrimento da família por horas. O velório, previsto para encerrar às 15h, terminou apenas às 18h30. O caixão ficou exposto ao sol enquanto se buscava uma solução para o tamanho da valeta. Fábio descreveu o episódio como um desrespeito total, especialmente considerando a trajetória de Larissa, que superou limitações de saúde desde o nascimento. "Minha filha foi uma guerreira, minha filha é um testemunho de Deus", afirmou o pintor.


O pai afirma que não recebeu pedidos de desculpas ou assistência das autoridades locais após o incidente. "Eu quero que os responsáveis sejam responsabilizados e que não aconteça mais com outros, igual vem acontecendo", concluiu.

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O advogado, Mauro Martins, levantou questionamentos sobre a justificativa de recadastramento utilizada pela administração do cemitério para explicar o desaparecimento do túmulo, e dos restos mortais da pequena Vitória. “Então eu pergunto: qual a finalidade do recadastramento? Há claramente ali dispositivos do Código Penal que estão sendo violados: a violação de sepultura e a destruição ou subtração de cadáver. Há condutas que têm que ser apuradas administrativamente e na esfera civil, como dano moral.”


Este não é o primeiro caso de desaparecimento de restos mortais no cemitério de Arapongas noticiado pela Tarobá. A situação ocorre há anos na cidade. Entramos em contato com a Prefeitura de Arapongas e aguardamos o retorno sobre a nova denúncia.


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