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Pesquisa da UEL atende crianças com dificuldades na coordenação motora

29 mai 2023 às 09:17
Por: Agência UEL
Foto: Freepik

Reconhecido pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o TDC (Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação) é uma condição que afeta negativamente o desenvolvimento de adultos e crianças. Algumas características do TDC são dificuldades na execução de atividades que exigem coordenação motora, como andar de bicicleta, jogar bola, manusear objetos e vestir roupas. Na falta de uma intervenção profissional e um atendimento adequado, a condição tende a afetar, também, a autoestima e a socialização.


Desde o início de 2022, a professora Josiane Medina Papst, do Departamento de Educação Física (Cefe), coordena o projeto de extensão “Programa Educação Física na Escola: Crianças em Movimento – Fase 2”, que trabalha com crianças com suspeitas de TDC de duas escolas de Cambé-PR. O objetivo é contribuir para que elas desenvolvam habilidades motoras básicas. “Nós trabalhamos com habilidades de locomoção, habilidades de manipulação e habilidades de controle postural ou estabilização. Então, são atividades lúdicas, recreativas, com diversos tipos de materiais e sempre visando o amplo desenvolvimento motor das crianças”, explica a professora. 


A seleção das crianças participantes foi feita a partir da observação dos professores sobre o comportamento de cada uma, identificando as que apresentavam possíveis sinais de TDC. “Uma grande característica desse transtorno é que a dificuldade motora das crianças interfere nas atividades do dia-a-dia dela. Então, não basta a criança ter dificuldade motora, por exemplo, em habilidades esportivas. Isso acontece, mas, se essas dificuldades interferirem na vida da criança, nas atividades cotidianas, então isso pode ser indicativo de um transtorno”, detalha Papst. 


No decorrer do ano passado, foram atendidas aproximadamente 40 crianças em situação de vulnerabilidade social, em média 20 de cada escola, com idades entre sete e nove anos. As atividades foram realizadas duas vezes por semana, após o horário de aula, nas próprias instituições de ensino: Escola Municipal Irmã Hilda Soares e Escola Municipal Santos Dumont. A escolha pelo público-alvo e pelos locais foi feita após o projeto ser aprovado no Edital do Programa Universidade Sem Fronteiras (USF), que possibilitou que a equipe, composta por seis graduandos de Educação Física e uma profissional recém-formada, se deslocasse para fora do Campus Universitário.


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As atividades desenvolvidas no projeto foram divididas em três blocos, visando melhorar a coordenação motora das crianças em diferentes sentidos e, também, contribuir para a socialização delas. Em um primeiro momento, foram trabalhadas a percepção corporal e a lateralidade, seguidas da organização espacial, temporal e ritmo e, por fim, as habilidades de locomoção e manipulação. “A gente procura auxiliar as crianças no sentido de que elas criem estratégias ou mecanismos para tentar resolver determinada tarefa motora da maneira mais confortável para ela”, esclarece Papst. 


Ao longo do desenvolvimento das atividades, o grupo notou, gradualmente, uma melhora na socialização e respeito das crianças umas com as outras e com os acadêmicos que ministravam as atividades. Além disso, também foi percebido um interesse maior pela prática dos exercícios propostos. Neste ano, o projeto tem continuidade nas escolas, e os colaboradores trabalham, também, com a análise dos dados coletados em 2022 para verificar a melhora na coordenação motora dos participantes. Posteriormente, será publicado um artigo com todos os resultados. 


Além do foco nas crianças, o projeto também investiu na capacitação de professores e agentes da Rede Municipal de Ensino, buscando levar os conhecimentos sobre o TDC para o contexto escolar. Foram promovidos três cursos de extensão que abordaram questões como o que é TDC, quais as principais características e as estratégias no processo de ensino-aprendizagem. 


Histórico


O TDC é objeto de estudo do grupo há alguns anos. Entre 2017 e 2019, foi realizada a primeira fase do projeto, também coordenada por Josiane, que trabalhava com crianças do Colégio de Aplicação da UEL. Esses estudos resultaram na publicação do livro “Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação: caracterização, avaliação e intervenção”.

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