A Prefeitura de Londrina, por meio da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), abriu consulta pública para receber contribuições da população sobre o inédito Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica (PMMA), que está em fase de elaboração. O questionário on-line pode ser respondido até 3 de março e é aberto a qualquer cidadão. As respostas são confidenciais, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
A iniciativa busca construir um diagnóstico socioambiental participativo e orientar a criação de um instrumento eficaz, transparente e alinhado à realidade de Londrina. O objetivo é compreender como a população percebe a presença da Mata Atlântica no município e de que forma o bioma impacta a qualidade de vida, além de colher sugestões relacionadas à conservação e ao uso sustentável dos recursos naturais.
As contribuições irão subsidiar a definição de metas, áreas prioritárias e ações do Plano, cuja versão final está prevista para agosto de 2026. Paralelamente, serão realizadas três oficinas públicas de mobilização social, sempre às 19h: no dia 25 de fevereiro, em Lerroville; em 4 de março, no distrito de São Luiz; e em 11 de março, na sede da Prefeitura.
Previsto na Lei Federal nº 11.428/2006, o PMMA será referência para políticas públicas, projetos ambientais e decisões relacionadas à proteção da vegetação nativa. O plano é acompanhado por um Grupo de Trabalho instituído pelo prefeito Tiago Amaral, com representantes da Sema, do Consemma, pesquisadores e professores.
A elaboração do PMMA não terá custos diretos para o Município, pois será financiada por medida compensatória ambiental vinculada a Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV). Uma empresa especializada foi contratada para conduzir a consultoria ambiental e desenvolver o plano, com apoio institucional da Prefeitura.
O secretário municipal do Ambiente, Gilmar Domingues Pereira, destacou a relevância do projeto diante da presença de remanescentes significativos do bioma na cidade, distribuídos ao longo de rios, áreas rurais e fragmentos urbanos. Já a bióloga Juliana Carneiro Champi, integrante do Grupo de Trabalho, ressaltou que Londrina avança ao estruturar um plano específico para a Mata Atlântica, colocando o município em sintonia com diretrizes nacionais de conservação.
Dados da Sema indicam que Londrina possui 30.415,681 hectares de remanescentes de Mata Atlântica, equivalentes a 18,42% do território municipal — percentual superior aos 14,47% registrados em 1985. O município conta ainda com 14.190,50 hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs), sendo que mais da metade necessita de recuperação.
Entre as principais Unidades de Conservação estão o Parque Estadual Mata dos Godoy, com mais de 690 hectares; o Parque Municipal Arthur Thomas, com 85,47 hectares; e o Parque Ecológico Dr. Daisaku Ikeda, com 120,96 hectares, que protege o Ribeirão Três Bocas.