Elis Regina é uma força da natureza. Mesmo depois de tantos
anos da sua partida, continua inspirando artistas e, principalmente, mulheres.
Permanece sendo “uma força que nos alerta”, exatamente como diz o verso da
música escrita por Milton Nascimento e imortalizada por uma das vozes mais
importantes da história da MPB.
As letras cantadas por Elis reverberam de um jeito especial
em um corpo feminino, já que poucas conseguem expressar de um modo tão profundo
o que é ser mulher, ser complexa, ser presente, ser em toda a imensidão desse
universo feito de amores, dores, alegrias e desafios. Raquel Palma,
multitalento da cena artística de Londrina, encerra a programação do Viva Elis
2025 com um show onde ela é a estrela a refletir, no palco do Bar Valentino, o
que cada um tem de Elis dentro de si.
Com direção musical de Gabriel Zara, o show traz um
repertório escolhido de uma maneira muito orgânica, com músicas que tocam
profundamente Raquel Palma e dialogam com as fases da sua vida, desde a
infância, até ser a mãe do menino Bento, nome escolhido por causa da música do
Gilberto Gil, ‘Rebento’, gravada por Elis no comecinho da década de 80.
“A escolha das músicas do setlist não foi muito racional no
sentido de propor um percurso histórico ou fazer necessariamente essa ou aquela
música da Elis ou, de retratar essa ou aquela fase da cantora. Único cuidado
foi o de colocar músicas mais para cima porque a minha tendência é pôr todas
aquelas de fossa”, diz rindo.
“Escolhi algumas músicas lado B também, não só porque acho
importante, mas porque são músicas que me atravessam bastante, como aquela que
deu nome ao meu filho, ‘Agnus Sei’ de João Bosco e Aldir Blanc, e ‘Essa Mulher’
de Joyce Moreno e Ana Terra”, revela. A plateia também vai poder soltar a voz
com grandes sucessos de Elis na voz de Raquel Palma, com ‘Maria Maria’, ‘Como
Nossos Pais’, ‘Fascinação’ entre outras, todas executadas com o virtuosismo da
banda, formada especialmente para o show no Viva Elis, e composta por Elthon
Dias na bateria, Luciano Silva na guitarra, Fabricio Martins no teclado,
Gabriel Zara no contrabaixo e ainda, a participação especial de Cícero Cordão
no trompete e Gabriel Peixoto, no saxofone. As cantoras Silvia Borba e Natália
de Oliveira também fazem uma participação especial no show. Os ingressos para o
show com preço promocional podem ser adquiridos antecipadamente pela plataforma
Sympla (R$ 25,00 + taxas).
Na portaria, no dia do evento, custam R$ 30,00. A casa abre
para o público às 19h30 e o espaço é sujeito à lotação. Os assentos disponíveis
são ocupados por ordem de chegada, sem reserva de mesas.
O modo visceral de interpretação de Elis Regina sempre
atraiu Raquel Palma, que afirma ter trazido isso para a sua carreira como
cantora. “Pequena, eu já sabia cantar ‘Atrás da Porta’, ‘Madalena’, ‘O Bêbado e
A Equilibrista’.
Participar, mais uma vez, do projeto é uma honra, mas
também dá um pouco de medo, tamanha é a responsabilidade. É um dos eventos mais
tradicionais da cidade de Londrina e muita gente já passou por ali. Há sete
anos eu fiz o Viva Elis, mas agora estou em outra fase, mais madura e com outra
percepção”, comenta.
Experimentadora cênica, formada em Artes Cênicas na UEL,
Raquel Palma transita entre as mais variadas linguagens artísticas. Ao longo
dos últimos 17 anos, participou de coletivos de performance teatral, é
vocalista da Abacate Contemporâneo, realizou alguns projetos aprovados por leis
de incentivo, oficinas em performance, atuou em produções cinematográficas e
foi diretora de arte em clipes e apresentou espetáculos.
“O que me der, eu
experimento, e enquanto eu tiver condições, vou tentando misturar tudo. Mas
nesse show, especialmente, vou focar na força do repertório e tentar fazer bem
feito. Quem disse que cantar Elis é fácil, está mentindo”, afirma.
A 33ª edição do Viva Elis, que conta com o apoio da Rádio
UEL FM, recebeu ao longo do mês de janeiro shows com Fabrício Fonseca, Marcelle
Terra e Bruno Bonafini. A gráfica do Viva Elis 2025, assinada pelo designer
Mercelo Moreira, o Tchelo, convidou o público para aventuras cinematográficas
da Hollywood da década de 50, com os artistas que se apresentaram no palco do
Bar Valentino contracenando com Elis Regina em cartazes coloridos pelas tintas
da saudade, a mesma que deu o tom de cada show da programação.
A discografia de
Elis Regina se estende por mais de 30 álbuns, entre discos gravados em estúdio,
ao vivo e EPs, isso sem contar os singles, que seriam mais de 20. Tanto
material à disposição e a longevidade do “Viva Elis” proporcionam ao público e
aos artistas um rico passeio pelos mais variados estilos da obra de Elis Regina
e, em 2025, não poderia ter sido diferente.