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BC aperta o passo e aumenta taxa básica de juros em 1 ponto; Selic vai a 12,25% ao ano

O colegiado já sinalizou novos aumentos de 1 ponto nas duas próximas reuniões
12 dez 2024 às 08:17
Por: Band
Banco Central do Brasil manteve taxa de juros
Marcello Casal Júnior/Agência Brasil

Na última reunião de 2024, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central pisou no acelerador nesta quarta-feira, 11, e aumentou a taxa básica de juros (Selic) em 1 ponto porcentual, de 11,25% para 12,25% ao ano.


O resultado veio acima das medianas do relatório Focus e da mais recente pesquisa Projeções Broadcast, que indicavam alta de 0,75 ponto porcentual nos juros.


O colegiado já sinalizou novos aumentos de 1 ponto nas duas próximas reuniões - o que levaria a Selic a um patamar superior à máxima observada no governo Bolsonaro, quando a taxa bateu 13,75% ao ano.


"Diante de um cenário mais adverso para a convergência da inflação, o Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, ajustes de mesma magnitude nas próximas duas reuniões", diz o comunicado.


O Copom afirmou que a evolução do cenário econômico demanda uma política monetária "ainda mais contracionista." O colegiado destacou a desancoragem adicional das expectativas de inflação, alta das suas projeções e atividade mais forte.

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Impacto do pacote fiscal


O Copom afirma que tem acompanhado com atenção "como os desenvolvimentos recentes da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros".


"A percepção dos agentes econômicos sobre o recente anúncio fiscal afetou, de forma relevante, os preços de ativos e as expectativas dos agentes, especialmente o prêmio de risco, as expectativas de inflação e a taxa de câmbio. Avaliou-se que tais impactos contribuem para uma dinâmica inflacionária mais adversa", diz o comunicado.


Desde a última reunião, quando a taxa Selic subiu de 10,75% para 11,25% ao ano, todas as variáveis usadas pelo BC para conduzir os juros pioraram.


A disparada do dólar para o patamar de R$ 6 após a frustração do mercado com o pacote de corte de gastos do governo Lula é o principal retrato da deterioração do cenário. A desancoragem das expectativas se aprofundou. A projeção do mercado para a inflação no segundo trimestre de 2026, o horizonte que é levado em conta na política monetária, saltou de 3,86% para 4,16%, ante os 3,60% esperados pelo BC.


Essa piora já incorpora uma trajetória muito mais alta para a Selic no relatório Focus, do BC, já que a projeção de juro ao final do ciclo de alta subiu de 12,5% para 13,75% nos últimos 45 dias.


Esta reunião foi a última de Roberto Campos Neto no comando do Banco Central. Indicado por Jair Bolsonaro, o atual presidente da autoridade monetária foi alvo de críticas de integrantes do governo pelo patamar da Selic. Escolhido pelo presidente Lula para comandar o BC, Gabriel Galípolo assume a presidência do banco em janeiro de 2025 e terá mandato até o final de 2028.


Como mostrou o Estadão, Galípolo corre o risco de ter de elevar a Selic para um patamar superior ao que foi praticado no auge do mandato de Campos Neto, no qual a Selic chegou a 13,75%. Com a piora dos ativos brasileiros nas últimas semanas, a leitura dos economistas é de que o cenário ficou bem mais delicado desde o encontro do Copom de novembro. Agora, na avaliação deles, o País terá de passar por um processo ainda mais duro e longo de alta da taxa básica de juros.

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