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Economia

Carteiras recomendadas têm ganho abaixo do Ibovespa em 12 meses

09 dez 2019 às 07:40
Por: Estadão Conteúdo

No acumulado de 12 meses, a média de rentabilidade das carteiras recomendadas semanalmente por 11 das principais corretoras de investimento do País perdeu para o Ibovespa, cesta com as principais ações negociadas pela Bolsa. Ficou atrás também do Ifix, o índice de fundos de investimento com ativos imobiliários.

Na prática, isso significa que ter comprado um ETF (sigla que designa fundos negociados em bolsa) ancorado ao Ibovespa poderia ter sido mais rentável para o investidor, já que este tipo de opção reproduz um índice de mercado.

As carteiras recomendadas são um conjunto de cinco ações indicadas pelas instituições, conhecidas como Top Picks. Elas renderam em média 17,64% nos últimos 12 meses, enquanto o Ibovespa e o Ifix se valorizaram 21,70% e 28,49%, respectivamente. Os dados são de levantamento feito pelo buscador de investimentos Yubb para o jornal O Estado de S. Paulo.

O custo de reproduzir essas carteiras pode pesar para o investidor. Quem fez todas as mudanças junto com os analistas, teve de desembolsar até R$ 2.714,60 com taxas de corretagem. Se considerada uma média entre as corretoras, o custo de movimentação das carteiras no período ficou em R$1.468,42. Enquanto isso, a taxa de administração de um ETF do Ibovespa fica em torno de 0,3% ao ano.

Nas contas do Yubb, a taxa de um ETF só teria custado o mesmo que o preço médio de movimentação das Top Picks se o cliente tivesse investido mais de R$ 489.473,33. Ainda assim, seria preciso bater os quase 4 pontos porcentuais de diferença no rendimento do ETF em relação à média dessas carteiras.

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Para o diretor executivo do Yubb, Bernardo Pascowitch, o investidor ainda deve colocar na balança fatores que não são tão facilmente mensuráveis. Ele explica que a rentabilidade dos Top Picks é contabilizada a partir do momento em que as instituições publicam essas carteiras. "Essas recomendações, porém, não são um produto pronto e disponível nas corretoras. Os investimentos precisam ser feitos individualmente. Significa que, talvez, você não consiga comprar a ação no momento em que ela é indicada", diz.

Já o professor de finanças Keyler Rocha, da FEA-USP, afirma que as carteiras recomendadas trazem análise e pesquisas. Cabe ao investidor observá-las e entender se aquilo faz sentido na sua estratégia. Além disso, ele diz que o fato de o Ibovespa ter se valorizado mais que a média das carteiras não indica que os ETFs são a solução do problema no futuro.

"O Ibovespa mostra a valorização das ações das empresas selecionadas segundo a metodologia da Bolsa. Ele indica que estas ações foram bem. Logo, é possível que em outro momento determinada carteira performe melhor do que aquela seleção de ações", diz.

O bancário Giovanni Sorc, 22, decidiu desde agosto pagar para receber as recomendações de uma empresa especializada. Sua preferência é pelas indicações de longo prazo. "Minha meta nos investimentos é atingir a independência financeira, não precisar mais trabalhar, depois de uma certa idade. Logo, tenho um horizonte de prazos mais longos", diz. No seu caso, diz que desde agosto teve rentabilidade entre 12% e 15%.

Nas Top Picks analisadas, algumas renderam muito acima da média, cerca de 80% no acumulado de 12 meses, enquanto outras puxaram a média para baixo. Neste caso, o investidor poderia ter acompanhado a carteira mais rentável, reproduzindo sua estrutura por meio de uma corretora que não cobrasse taxa de corretagem para compra e venda de ações.

Renda fixa

Das carteiras analisadas nos últimos 12 meses, 88,4% superaram a média de rendimentos dos melhores produtos de renda fixa do mercado. No entanto, o professor da FGV Fábio Gallo, colunista do Estado, lembra que, historicamente, essa diferença ainda não é palpável. "Desde 1995 até 2018, R$ 100 aplicados em um investimento que rendesse 100% do CDI teriam se tornado R$ 4.104,7, enquanto no Ibovespa o montante teria chegado apenas a R$ 1.252,58", diz.

A diferença agora, pondera ele, é o efeito da queda acelerada dos juros. Para conseguir ultrapassar a inflação, é necessário optar por investimentos de maior risco - o que tem empurrado mais pessoas para o mercado de ações.

O levantamento do Yubb mostrou ainda que a média das Letras de Câmbio (títulos oferecidos por financeiras) e RDBs (Recibo de Depósito Bancário) mais rentáveis do mercado atingiu ganho de 9,31%, mais de 8 pontos porcentuais abaixo da média das Top Picks. Esses ativos tem a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, que garante que o cliente não perderá dinheiro até o limite de R$ 250 mil por emissor.

Ainda assim, o buscador encontrou oportunidades em renda fixa que superaram a média de rentabilidade das carteiras. "Dá quase o mesmo trabalho de procurar ações e é necessário estar próximo ao mercado para enxergar essas oportunidades. Mas elas existem", diz Gallo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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