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Economia

Com exterior positivo, Bolsa fecha em alta de 0,67%, aos 95.975,16 pontos

23 jun 2020 às 18:23
Por: Estadão Conteúdo

O Ibovespa conseguiu retomar a trajetória ascendente que havia sido interrompida ontem, após quatro ganhos consecutivos. Nesta terça-feira, 23, o índice de referência da B3 mostrou ganho moderado ao longo do dia, que o colocou aos 95.975,16 pontos, em alta de 0,67% no fechamento da sessão, recuperando-se parcialmente da perda de 1,28% registrada na segunda-feira. Na máxima desta terça, voltou à marca psicológica de 97 mil, a 97.485,59 pontos, em torno da linha de resistência, enquanto, na mínima, foi a 95.343,52 pontos. Na semana, acumula perda de 0,62%, mas ainda avança 9,81% no mês. No ano, cede agora 17,01%.

Assim como nesta segunda, 22, o giro financeiro se mostrou um pouco mais acomodado, hoje a R$ 26,3 bilhões. Em Nova York, os ganhos chegaram a ficar acima de 1%, com destaque mais uma vez para o Nasdaq (+0,74%), que voltou a renovar máxima histórica de fechamento. As ações de commodities (Petrobras PN +3,34%, Vale ON +1,07%) e de siderurgia (Usiminas +10,34%) tiveram desempenho positivo na sessão da B3, mas as perdas ainda que moderadas observadas em boa parte do setor bancário, com grande peso na composição do índice, limitaram o avanço do Ibovespa.

"O exterior contribuiu de forma positiva, com Larry Kudlow, principal assessor econômico da Casa Branca, tendo minimizado a chance de segunda onda de Covid nos EUA, além das leituras favoráveis dos PMIs na Europa, que sinalizam uma retomada da atividade em V", diz Pedro Galdi, analista da Mirae. Após ter reafirmado mais cedo que o acordo comercial com a China permanece de pé, o que agradou aos mercados, o presidente dos EUA, Donald Trump, em campanha de reeleição até aqui enfraquecida, voltou a direcionar os canhões contra o rival geopolítico, ao dizer que a pandemia de Covid-19 é "um presente vindo da China" - o que contribuiu para NY moderar a alta.

Mais cedo, os dados e noticiário positivos favoreceram os ganhos observados em Wall Street e, especialmente, nas bolsas da Europa - o que colocava o Ibovespa a caminho, pelo segundo dia, de desempenho abaixo do observado em Nova York, invertendo o padrão observado na semana passada. Entre os dias 8 e 10 de junho, o Ibovespa conseguiu ir à faixa de 97,6 mil pontos nas máximas daquelas sessões, as maiores desde 9 de março (97.982,08 pontos). Na sessão anterior, de 6 de março, o Ibovespa fechou aos 97.996,77 pontos, pela primeira vez no ano encerrando abaixo dos 100 mil pontos - em 5 de março, estava em 102.233,24 pontos.

Recuperar os 98 mil pontos é um passo importante para que o Ibovespa retome os 100 mil, avaliam analistas, mas, até que isso aconteça, a expectativa é por lateralização ou realização de lucros no curtíssimo prazo, tendo em vista os ganhos que se acumularam nos últimos três meses - após avanço de 10,25% em abril e de 8,57% em maio, o Ibovespa segue até aqui a caminho de alta de 9,81% em junho, faltando cinco sessões para fechar o mês.

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Em NY, os índices chegaram a ganhar fôlego nesta terça-feira e avançar mais de 1% após o diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, Anthony Fauci, ter dito ao Congresso que está "cautelosamente otimista" de que uma vacina contra a doença estará disponível em breve, até o início de 2021.

"Aqui, a ata do Copom trouxe o esperado, a possibilidade de mais um corte 'residual' na Selic. Sabemos que o segundo semestre no Brasil não será fácil, na economia como na política, mas temos uma situação de fluxo de recursos, que não tem muito para onde correr, com os juros onde estão", observa Galdi. "Depois do tombo de março, a recuperação de abril e maio se estende a junho, com ganho perto de 10% para o Ibovespa no mês. O viés na Bolsa é positivo, apesar das dificuldades", conclui.

Embora a percepção de risco político tenha se amenizado em relação ao observado no fim de abril e início de maio, o quadro doméstico, ainda que em segundo plano no momento, continua no radar, inclusive do exterior. As embaixadas do Brasil na Europa receberam a carta do grupo formado por 30 fundos internacionais, de países como Suécia, Japão e Reino Unido, que ameaçam tirar seus recursos do País se o governo não trabalhar para deter o desmatamento.

Em outro desdobramento negativo, refletindo a pandemia, a Receita Federal informou hoje que a arrecadação de R$ 77,415 bilhões em maio foi a menor para o mês desde 2005, quando somou R$ 76,178 bilhões, na série já atualizada pela inflação.

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