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Com tensão política, dólar fecha em ligeira alta na contramão do exterior

Com mínima de R$ 5,4037 e máxima de R$ 5,4482, o dólar à vista fechou cotado a R$ 5,4173, em alta de 0,09%
08 set 2025 às 20:03
Por: Estadão Conteúdo
Marcello Casal

O dólar perdeu fôlego ao longo da tarde desta segunda-feira, 8, e se afastou das máximas observadas pela manhã, em meio ao aprofundamento das perdas da moeda americana no exterior, sobretudo na comparação com divisas fortes.


Com mínima de R$ 5,4037 e máxima de R$ 5,4482, o dólar à vista fechou cotado a R$ 5,4173, em alta de 0,09%. Em setembro, tem ligeira queda (-0,09%), após desvalorização de 3,19% em agosto. No ano, perde 12,34%.


Operadores afirmam que pesou sobre a moeda brasileira nesta segunda-feira o aumento das tensões políticas na semana decisiva do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), após ataques do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ao ministro Alexandre de Moraes em manifestações a favor da anistia no feriado de 7 de setembro.


Há temores de novas sanções ao Brasil ou a autoridades locais em caso de condenação do ex-presidente. Fontes ouvidas pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) afirmam que a administração Donald Trump pode questionar empresas brasileiras sobre a aplicação da Lei Magnitsky contra Moraes.


"Essa parte política deixa o investidor mais receoso. As declarações de Tarcísio, que vinha adotando um tom mais conciliador, esquentaram muito o ambiente político", afirma o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni.

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No domingo, em manifestação pró-anistia na Avenida Paulista, o governador de São Paulo disse que não aceitaria a "ditadura de um Poder sobre o outro". Tarcísio pediu que o projeto de anistia seja votado imediatamente pelo Congresso e afirmou que "ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Moraes".


"Não sabemos ainda qual vai ser a consequência disso, se vai ser costurada uma anistia. Mas a verdade é que o dólar já caiu demais quando a gente olha nossa condição fiscal, que vai se agravar com o governo querendo forçar a aprovação do projeto de isenção do Imposto de Renda", afirma Velloni, que vê o dólar ao redor de R$ 5,60 no fim do ano.


No exterior, o índice DXY - que mede a variação do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes - operou em baixa moderada e rondava os 97,450 pontos no fim da tarde, após mínima aos 97,418 pontos. Com o recuo desta segunda, o Dollar Index apresenta desvalorização de mais de 10% no ano. O euro ganhou força apesar da derrota do primeiro-ministro francês, François Bayrou, em votação de confiança no parlamento.


Após o payroll fraco de agosto, divulgado na última sexta-feira, investidores aguardam a publicação do CPI na quinta-feira, 11, para calibrar as apostas em torno da magnitude do ciclo de afrouxamento monetário nos EUA neste ano. É dado como certo que o Federal Reserve vai reduzir a taxa básica americana em pelo menos 25 pontos-base no próximo dia 17.


Entre divisas emergentes, destaque negativo para o tombo de quase 5% do peso argentino, após o partido do presidente Javier Milei ser derrotado em eleições legislativas na província de Buenos Aires. Entre pares do real, o peso chileno também se depreciou.


O head da Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, afirma que a derrocada dos ativos argentinos pode ter contribuído para o tropeço do real nesta segunda. Com o quadro interno menos favorável, Weigt afirma que uma rodada firme de queda do dólar por aqui depende de uma perda ainda maior da moeda americana no exterior.


"Apesar do carrego fantástico, os fundamentos por aqui não são favoráveis para o real. O fluxo deve ficar ainda mais negativo no fim do ano, o panorama fiscal continua ruim e a possibilidade de alternância de poder nas eleições do ano que vem é incerta", afirma Weigt. "Acho difícil a taxa de câmbio romper os R$ 5,40 no curto prazo em razão dos fatores internos".


Pela manhã, pesquisa AtlasIntel com eleitores do estado de São Paulo mostrou Tarcísio bem posicionado na corrida eleitoral de 2026. O governador aparece com 38% das intenções de volta, contra 34% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em simulação de primeiro turno.


À tarde, pesquisa CNT/MDA de abrangência nacional mostrou, em primeiro turno, Lula com 35,8% das intenções de voto. Tarcísio aparece com 17,1%. Em confronto com Bolsonaro, Lula teria 36,2% de preferência, contra 29,7% do ex-presidente.

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