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Desenrola busca conter inadimplência recorde em cenário de juros elevados

Programa de renegociação de dívidas do governo federal é retomado sob alerta de economistas sobre a eficácia temporária das medidas frente à taxa Selic
05 mai 2026 às 07:58
Por: Band
Foto: Ilustrativa

retomada do Desenrola 2.0, programa do governo federal focado na renegociação de débitos para a população negativada, ocorre em um momento crítico para a economia doméstica. A iniciativa busca oferecer condições facilitadas para que cidadãos regularizem sua situação financeira, mas enfrenta o desafio de conter um ciclo persistente de endividamento. A análise sobre o impacto e a sustentabilidade dessa medida é detalhada por Juliana Rosa, que aponta para as limitações estruturais de programas de alívio pontual.


De acordo com Juliana Rosa, embora o programa represente uma ajuda imediata e importante para quem está endividado, a experiência da primeira edição do Desenrola indica que o alívio tende a ser temporário. No ciclo anterior, o número de inadimplentes no Brasil registrou uma queda momentânea, mas os índices voltaram a subir rapidamente até atingir um recorde histórico, com quase 83 milhões de pessoas com o nome negativado. Para a economista, esse movimento pendular demonstra que as intervenções não estão atingindo a raiz do problema.


Juros e inflação dificultam saída definitiva da inadimplência


Um dos principais obstáculos para a redução sustentável da inadimplência no país é o patamar elevado das taxas de juros. Juliana Rosa observa que as causas do endividamento permanecem sem solução definitiva, destacando que o juro básico da economia já apresentava tendência de alta muito antes de fatores externos, como o conflito no Oriente Médio e a consequente disparada do preço do petróleo, exercerem pressão adicional sobre os mercados.


A taxa Selic chegou a bater a marca de 15%, um reflexo direto de políticas anteriores de estímulo excessivo ao consumo, que acabaram gerando inflação. Atualmente, embora os juros tenham iniciado uma trajetória de queda, o processo ocorre de forma lenta, o que mantém o custo do crédito elevado para as famílias e empresas. Segundo Juliana Rosa, a dinâmica de estimular o endividamento e, posteriormente, lançar programas de resgate financeiro pode criar um incentivo perverso, onde o consumidor volta a contrair novas dívidas sem que sua capacidade de pagamento real seja restabelecida.


O programa segue em operação, servindo como um suporte emergencial, enquanto o mercado aguarda novas sinalizações sobre o ritmo de queda dos juros e o controle inflacionário no segundo semestre de 2026.

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