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Economia

Dólar sobe e vai a R$ 4,2193, maior nível desde novembro de 2019

29 jan 2020 às 19:00
Por: Estadão Conteúdo

O dólar mostrou força frente ao real durante toda a sessão desta quarta-feira, 29, dia em que o Federal Reserve (Fed) manteve a faixa de flutuação dos fed funds, com os investidores atentos ao pronunciamento do presidente da instituição, Jerome Powell, que apontou em discurso não estar confortável com a inflação sistematicamente abaixo da meta.

Muito embora tenha chegado a bater, na máxima intraday, em R$ 4,2253 em linha com o avanço no exterior pela expectativa dos investidores sobre o rumo da política monetária nos Estados Unidos, quase ao final da sessão, o ritmo de alta arrefeceu. A divisa americana fechou em alta de 0,62%, cotada a R$ 4,2193 no nível mais alto desde 29 de novembro passado, quando havia ido a R$ 4,2407. Entre as principais moedas de países exportadores de commodities, hoje, o real foi das que mais se depreciou.

No contexto da fala de Powell, o dólar se enfraqueceu levemente ante outras moedas principais. "A sinalização de preocupação de Powell com inflação abaixo da meta sinaliza possibilidade de corte um pouco mais à frente e isso faz com que o mercado ajuste a curva de apostas", ressaltou Alexandre Almeida, analista econômico da CM Capital. O dirigente afirmou ainda que há riscos às perspectivas econômicas, inclusive pelo coronavírus, e que o Fed está pronto para agir, caso o quadro mude de modo substancial.

A despeito da suavização, fatores internos também contribuem para pressionar o real para baixo. José Faria Junior, diretor da Wagner Investimentos, ressalta que, com o Fed mantendo suas taxas ao mesmo tempo em que aumentam as chances de o Comitê de Política Monetária (Copom) fazer dois cortes de 0,25 ponto porcentual na Selic, o diferencial de juros reduz ainda mais, o que é ponto para a depreciação do real. Aliado a isso, comenta, as quedas recentes da cotação das commodities também contribuem para pressionar a moeda americana em relação ao real.

Ainda que não haja consenso sobre quantas vezes mais o Copom deve reduzir a taxa básica, a perspectiva de continuidade do processo de afrouxamento monetário para além de fevereiro já pesa nos negócios do mercado de câmbio, observa um operador. "As reticências foram abertas nos últimos dias para os próximos passos dos juros por aqui", diz.

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